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PF indicia Bumlai por corrupção e gestão fraudulenta

Investigações apontam que amigo de Lula embolsou dinheiro sujo por meio de um empréstimo bancário e repassou parte da propina para o PT

Por Laryssa Borges - 11 dez 2015, 16h45

A Polícia Federal indiciou nesta sexta-feira o pecuarista José Carlos Bumlai, amigo do ex-presidente Lula e principal personagem da 21ª fase da Operação Lava Jato, pelos crimes de corrupção passiva e gestão fraudulenta. Segundo os investigadores, existem indícios suficientes de que o empresário agiu em conluio com o Grupo Schahin para embolsar dinheiro sujo por meio de um empréstimo bancário fictício e repassar parte dos valores para o Partido dos Trabalhadores (PT).

Bumlai é suspeito de ter atuado diretamente em um esquema de corrupção envolvendo a contratação da Schahin pela Petrobras para operação do navio sonda Vitoria 10000. A transação só ocorreu após o pagamento de propina a dirigentes da Petrobras, ao próprio pecuarista e ao PT. A exemplo do escândalo do mensalão, o pagamento de dinheiro sujo foi camuflado a partir da simulação de um empréstimo no valor de 12,17 milhões de reais. No mensalão, dos 32 milhões de reais repassados de forma fraudulenta pelo Banco Rural ao esquema do publicitário Marcos Valério entre 2003 e 2004, 3 milhões de reais foram destinados diretamente ao PT – num empréstimo fictício que tinha Marcos Valério, Delúbio Soares e José Genoino como avalistas e foi renovado dez vezes.

No caso do propinoduto envolvendo a Petrobras, o repasse de dinheiro sujo por meio do pecuarista, apontado como um operador VIP do petrolão, foi camuflado por meio de um empréstimo do Banco Schahin, com a contratação indevida da Schahin pela Petrobras para operar o navio sonda Vitoria 10.000 e na simulação do pagamento do empréstimo com a entrega possivelmente inexistente de embriões de gado. Na avaliação da Polícia Federal, existem indícios de que o pecuarista atuou em parceria com o lobista Fernando Baiano e “possivelmente com a utilização indevida” do relacionamento que tinha com o ex-presidente Lula para que a Schahin fosse contratada para a operação da sonda Vitoria 10.000. A transação, diz a PF, contou com a cumplicidade do ex-diretor da Área Internacional Nestor Cerveró e do ex-gerente da Petrobras Eduardo Musa.

De acordo com a Polícia Federal, Bumlai “praticou diversas manobras ilícitas em conluio com os gestores de instituições financeiras do Grupo Schahin – o banco e a securitizadora -, consistentes, dentre outras, em produção de diversos documentos ideologicamente falsos, os quais propiciaram vantagens ao próprio grupo e seus dirigentes, bem como a José Carlos Costa Bumlai, uma vez que foi possível quitar, de maneira indevida, o empréstimo tomado inicialmente em 2004”.

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Empréstimos do BNDES – Na Operação Lava Jato, os investigadores apuram irregularidades em empréstimos concedidos pelo BNDES às empresas do pecuarista. A São Fernando Açúcar e Álcool Ltda. recebeu, em 2005, empréstimo de 64,66 milhões de reais do BNDES. Em 2008, novo repasse. Desta vez de 388 milhões de reais. A companhia entrou em recuperação judicial em 2013 com uma dívida de 1,2 bilhão de reais, incluindo débito de 300 milhões de reais resultado de empréstimos do banco de fomento. Em julho de 2012, a São Fernando Energia I Ltda., também de Bumlai, recebeu empréstimo de mais de 100 milhões de reais do BNDES, mesmo que na época a empresa contasse com apenas sete funcionários.

Em sua delação premiada, o lobista Fernando Baiano disse que, na tentativa de emplacar um contrato entre a empresa OSX, do ex-bilionário Eike Batista, com a Sete Brasil, empresa gestada no governo Lula para construir as sondas de exploração do petróleo do pré-sal, o empresário José Carlos Bumlai foi acionado para interceder junto a Lula. Em troca, teria recebido comissão de 2 milhões de reais, que acabaram repassados a uma nora do ex-presidente para a quitação da dívida de um imóvel.

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