Assine VEJA a partir de R$ 9,90/mês.

70ª fase da Lava Jato mira contratação de navios pela Petrobras

Agentes cumprem doze mandados de busca e apreensão para coletar provas de corrupção, organização criminosa e lavagem de dinheiro

Por Giovanna Romano - Atualizado em 18 dez 2019, 10h31 - Publicado em 18 dez 2019, 08h27

A Polícia Federal (PF) deflagrou na manhã desta quarta-feira, 18, a 70ª fase da Operação Lava Jato, que mira contratos de afretamento de navios celebrados pela Petrobras, sob responsabilidade da Diretoria de Abastecimento da empresa. Policiais cumprem doze mandados de busca e apreensão em São Paulo e no Rio de Janeiro.

A operação, chamada Óbolo, conta com o apoio do Ministério Público Federal. O objetivo é coletar provas da corrupção de agentes públicos, organização criminosa e lavagem de dinheiro. Não está sendo cumprido nenhum mandado de prisão.

De acordo com as investigações, três empresas estabeleceram mais de 200 contratos de afretamento de navios entre 2002 e 2018, em valores que ultrapassam 6 bilhões de reais. São alvos da investigação: o armador Maersk, responsável pela embarcação, e os shipbrokers Tide Maratime e Ferchem, empresas que atuam como intermediárias nas negociações. Estas são suspeitas de terem se beneficiado com informações privilegiadas que deram a elas vantagens competitivas, através do pagamento de propina a funcionários da Petrobras.

Segundo o MPF, a Maersk celebrou 69 contratos de afretamento com a Petrobras, entre 2002 e 2012 no valor aproximado de 968 milhões de reais; a Tide Maritime, 87 contratos com a estatal, entre 2005 e 2018, no valor de 2,8 bilhões de reais; já a Ferchem, 114 contratos, entre 2005 e 2015, num valor superior a 2,7 bilhões de reais.

Publicidade

O MPF afirma que as investigações relacionadas à Maersk tiveram como base a delação premiada de Paulo Roberto Costa, ex-diretor de abastecimento da Petrobras. As informações privilegiadas seriam veiculadas por Wanderley Granda que constituiu uma empresa de shipbroker para repassar propina ao ex-diretor. Em uma planilha apreendida com o engenheiro no início das investigações da Lava Jato, há uma estimativa dos pagamentos de subornos em razão de onze contratos da Maersk.

Também são objeto de investigação contratos de afretamento celebrados pela Petrobras com a intermediação dos shipbrokers Tide Maritme e Ferchem, que figuram em contratos na Petrobras com vigência para além de 2020, em valores globais superiores a 100 milhões de dólares. Essas empresas e seus representantes, além de ex-funcionários da Petrobras
são alvo nas diligências de hoje.

O celular do ex-tesoureiro do Partido Progressista, Cláudio Genu, já condenado no Mensalão e na Lava Jato, também foi utilizado como prova da relação entre a Petrobras e as empresas Tide Maritime e Ferchem. Em seu aparelho celular, foram colhidos diálogos que apontam que ele atuava na Petrobras e direcionava contratos de afretamentos para os armadores representados pela Tide Maritime e pela Ferchem.

O ex-gerente de Afretamentos da Petrobras, Dalmo Monteiro, é investigado por atuar em benefício da Ferchem, recomendando a armadores que contratassem a empresa. Monteiro já é réu na Lava Jato por ter lavado dinheiro de propinas pagas por Konstantinos Kotronakis, também no contexto de contratação de navios pela estatal.

Óbolo

Em referência à mitologia, a operação foi batizada de Óbolo por causa da tradição da Grécia Antiga de colocar uma moeda, chamada óbolo, sob a língua do cadáver para pagar o barqueiro Caronte, que conduzia as almas pelo rio que separava o mundo dos vivos e o dos mortos.

Publicidade