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PF apreende R$ 321 mil e US$ 2,5 mil de clã da Liga da Justiça no Rio

Marido de candidata à vice-prefeita foi preso em flagrante; VEJA mostrou no mês passado como a família de Jerominho e Natalino está voltando à política

Por Marina Lang Atualizado em 12 nov 2020, 17h36 - Publicado em 12 nov 2020, 15h08

A Polícia Federal do Rio de Janeiro apreendeu 321 mil reais e 2.500 dólares em vários endereços ligados à família de Jerominho e Natalino Guimarães, criadores da milícia Liga da Justiça que foram presos após o indiciamento na CPI das Milícias, em 2008.

A PF confirmou no final da tarde de hoje que o marido de Jéssica Guimarães, filha de Natalino e candidata à vice-prefeita pelo Partido da Mulher Brasileira, foi preso em flagrante por porte ilegal de arma e munição. Ele é Policial Militar do Rio. Seu nome, contudo, não foi revelado.

Há algumas semanas, VEJA mostrou como os fundadores da Liga da Justiça tentavam retornar ao contexto político do Rio nas eleições de 2020. O clã Guimarães tenta emplacar a candidata à prefeita Suêd Haidar (PMB), cuja vice é Jéssica, e a filha de Jerominho, Carminha (PMB) como candidata à vereadora.

A Operação Sólon cumpriu 12 mandados de busca e apreensão em residências, comitês de campanhas e empresas do clã político na manhã desta quinta-feira, 12.

 

 

“Foi identificado que integrantes de uma das maiores milícias do Rio de Janeiro estariam almejando cargos no legislativo e no executivo, nas eleições de 2020, para retomar poder que possuíam na Zona Oeste do município”, disse a PF em nota.

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“Além disso, através da análise dos Relatórios de Inteligência Financeira (Rifs), verificaram-se movimentações financeiras atípicas nas empresas ligadas aos investigados, sendo que tais valores possivelmente seriam destinados no gastos de campanhas eleitorais”, prossegue o texto.

Os mandados foram expedidos pela 16ª Zona Eleitoral – segundo a PF, ela é especializada em delitos de organização criminosa (Lei nº 12.850/2013), de lavagem de dinheiro (Lei nº 9.613/98) no contexto das eleições.

O nome da operação deriva do estadista grego homônimo, criador da Eclésia (Assembleia Popular de Atenas, berço da democracia).

O clã é apontado por investigadores e pelo Relatório Final da CPI das Milícias, de 2008, como os principais membros da Liga da Justiça, um dos mais famosos e ferozes grupos paramilitares da cidade, responsável por extorsões, assassinatos e outros crimes que movimentavam cerca de R$ 2 milhões por mês à época, de acordo com o depoimento de um delegado durante a comissão parlamentar.

Jerominho e Natalino foram presos em 2007 e 2008, respectivamente, condenados em primeira e segunda instância e passaram dez anos atrás das grades até voltarem às ruas no final de 2018. Quem assumiu o comando da milícia foi Wellington da Silva Braga, o Ecko, um dos bandidos mais procurados pelo Ministério da Justiça e Segurança Pública.

O PMB, partido ao qual a família é filiada, se manifestou por meio de nota.

“O Partido da Mulher Brasileira (PMB) é um partido ficha limpa e democrático nas suas filiações, nominatas e candidaturas, desde que sejam validadas e aprovadas pelo TRE. Estamos à disposição da Justiça para apuração de fatos que envolvam candidatos da nossa legenda. Hoje já somos mais de 1050 candidatos em todo Brasil e lutamos pelo combate à corrupção.”

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