Assine VEJA a partir de R$ 9,90/mês.

Petistas tentam isolar Pizzolato para preservar tese de ‘julgamento injusto’

Descoberta de ex-diretor do Banco do Brasil na Itália é motivo de constrangimento no PT, que tenta taxar processos como "políticos"

Por Da Redação - 9 fev 2014, 12h43

A prisão de Henrique Pizzolato na Itália na semana passada com documentos falsos e a descoberta de um plano de fuga que remonta a 2007, cinco anos antes de o Supremo Tribunal Federal (STF) definir a sentença de sua participação no mensalão, deixaram petistas constrangidos. Alguns de seus integrantes trabalham para ‘isolar’ o caso do ex-diretor de marketing do Banco do Brasil. Pizzolato foi condenado a doze anos e sete meses de prisão no julgamento do mensalão.

Leia também:

Mensaleiros: a tática do deboche

Seis perguntas sobre o futuro do ‘fujão’ Pizzolato

Publicidade

Pizzolato pode pegar três anos de prisão na Itália por falsidade ideológica

A reação mais contundente de constrangimento com Pizzolato veio do líder do PT na Câmara, Vicentinho. “Quando foge parece que está assumindo a culpa. É um sentimento de vergonha que fica para a militância do PT. Estamos defendendo a tese da inocência, combatendo o que foi feito no julgamento, então ele não tinha que ter fugido.” No dia seguinte, Vicentinho afirmou que a declaração foi só um “desabafo”.

“A fuga do Pizzolato não diz respeito a nada do PT. O governo brasileiro está tomando todas as medidas para providenciar a extradição. É um problema que está a cargo da Justiça e da polícia internacional. Esta questão não envolve o PT nem tangencialmente nem lateralmente”, disse Emidio de Souza, presidente do diretório estadual do PT em São Paulo.

O relato da tentativa de Pizzolato de se passar por Celso, seu irmão morto num acidente de carro em 1978, inclusive na hora em que foi descoberto pela polícia italiana, contrasta com as imagens da prisão, em novembro do ano passado, de petistas com os braços levantados, como o ex-ministro José Dirceu e o ex-presidente do partido José Genoino.

Publicidade

O gesto, que buscou dar uma conotação de “julgamento político” ao mensalão, também foi repetido por João Paulo Cunha, ex-presidente da Câmara, dias antes de sua prisão, e virou provocação quando feito pelo vice-presidente da Câmara, deputado André Vargas (PT-PR), ao lado do presidente do Supremo, Joaquim Barbosa, na cerimônia de abertura do ano legislativo.

(Com Estadão Conteúdo)

Publicidade