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“Pesquisas têm que tomar cuidado”, diz Montenegro do Ibope

Ex-presidente do instituto que divulga as intenções de votos dos candidatos analisa a crise do setor e a dificuldade de prever resultados no domingo

Por Thiago Prado Atualizado em 22 out 2020, 13h36 - Publicado em 30 set 2016, 20h27

Aos 62 anos, Carlos Augusto Montenegro ainda é a cara do Ibope, o mais importante instituto de pesquisas do Brasil. Embora afastado das funções executivas da empresa, o economista carioca está atento à inédita queda da contratação dos seus serviços – e de concorrentes – para as eleições 2016. Nesta conversa com VEJA, Montenegro aponta os prejuízos para candidatos e população de atravessar uma eleição com menos pesquisas e afirma que o eleitor vai decidir o voto nas últimas 48 horas antes da eleição:

Como a recessão e a proibição de doações empresariais estão afetando o mercado de pesquisas? Os pedidos de pesquisas caíram mais de 50% este ano. Partidos, candidatos avulsos e empresas em geral eram os nossos clientes preferenciais. A sorte do Ibope é que 70% do nosso faturamento vem das medições de audiência que fazemos das TVs. Outros institutos de pesquisa que não tenham levantamentos a fazer fora da política vão ter problemas certamente.

Além de afetar diretamente o caixa do Ibope, uma campanha com menos pesquisas pode afetar de que forma candidatos e eleitores? Pesquisa é informação, a coisa mais rica do mundo atualmente. Nosso trabalho deixa todos, tanto candidatos quanto eleitores, mais preparados para fazer as melhores escolhas. Quando há menos informação nas mãos das pessoas, todo mundo sai perdendo.

O desinteresse da população pelas eleições torna mais difícil o trabalho dos institutos de pesquisa? Sim, mas como o voto é obrigatório facilita. Acho que as pesquisas têm que tomar muito cuidado porque as 48 últimas horas nesta campanha serão cruciais. As pessoas vão decidir o voto em cima da hora.

A rejeição alta da classe política também torna ainda mais imprevisíveis os resultados? Isso nem tanto porque todos estão sendo rejeitados. Quando um deles é vaiado no Maracanã, a reação é para toda a classe política. De fato, todos têm algum telhado de vidro hoje.

A internet superou a TV em uma campanha? Ainda não. A cultura de TV no Brasil ainda é muito forte. As inserções durante a programação e a cobertura jornalística do dia dos candidatos nas emissoras ainda são fundamentais.

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