Pesquisa indica ameaça ao plano bolsonarista para ampliar força no Senado
No Ponto de Vista, Robson Bonin afirma que pulverização de candidaturas da direita pode abrir espaço para adversários na disputa pelas duas vagas
A multiplicação de candidaturas disputando o eleitorado de direita no Rio de Janeiro pode se transformar em um obstáculo para um dos principais objetivos eleitorais do bolsonarismo: ampliar sua força no Senado. No Ponto de Vista, apresentado por Laísa Dall’Agnol, o colunista Robson Bonin, de Radar, avaliou que a pulverização dos votos ajuda a explicar por que nomes diretamente ligados ao campo bolsonarista não aparecem na dianteira da disputa pelas duas vagas do estado (este texto é um resumo do vídeo acima).
Laísa chamou atenção para o fato de Benedita da Silva (PT) e Marcelo Crivella (Republicanos) aparecerem à frente no levantamento do Paraná Pesquisas, enquanto candidatos mais diretamente associados ao bolsonarismo estavam atrás. A configuração ganha relevância, segundo a apresentadora, diante da força política histórica de Jair Bolsonaro no Rio e da estratégia de seu grupo para fortalecer a bancada no Senado.
“Eu acho que ainda é cedo para a gente cravar qualquer coisa, porque a campanha está começando agora”, ponderou Bonin. Para ele, porém, há um elemento que já merece atenção: “Você tem muitos candidatos disputando esse mesmo eleitorado de direita, esse eleitorado bolsonarista”.
Como a divisão da direita pode mudar a disputa?
Segundo Bonin, a existência de vários candidatos buscando votos dentro de um mesmo segmento dificulta a concentração do eleitorado em torno de nomes específicos. “Se você tem dois, três, quatro candidatos tentando falar com o mesmo eleitor, naturalmente você dificulta a consolidação de um nome”, afirmou.
A consequência pode ser favorável a adversários que consigam organizar de maneira mais eficiente suas respectivas bases. Na avaliação do colunista, a fragmentação ajuda a criar espaço justamente para candidaturas de outros campos políticos em uma eleição na qual duas vagas estarão em disputa.
No Rio, Bonin considera essa situação especialmente significativa. Embora o campo político de Bolsonaro tenha força no estado, existem diferentes candidaturas tentando conquistar parcelas semelhantes do eleitorado. “Vai ser preciso ver como isso vai se organizar ao longo da campanha, se haverá uma concentração desses votos ou se essa pulverização vai continuar”, disse.
Por que o Senado virou prioridade para o bolsonarismo?
O problema ultrapassa a eleição fluminense. Bonin ressaltou que fortalecer a representação no Senado tornou-se um objetivo estratégico para o bolsonarismo, que busca aumentar sua influência sobre a Casa e sobre as pautas que serão discutidas na próxima legislatura.
“Existe esse projeto de eleger uma bancada muito forte, de ter influência sobre a presidência do Senado, sobre as pautas que vão ser colocadas, inclusive sobre questões relacionadas ao Supremo”, afirmou o colunista.
É justamente nesse ponto que a situação do Rio pode expor uma contradição da estratégia. Ao mesmo tempo em que o Senado assume papel central no projeto nacional do grupo, a existência de diversos candidatos disputando a mesma base eleitoral pode dificultar a execução desse plano nos estados. “Se você fragmenta demais esse voto nos estados, você pode acabar prejudicando justamente esse projeto nacional”, avaliou Bonin.
Quem pode ganhar com a pulverização?
Na avaliação apresentada no Ponto de Vista, ainda é cedo para definir os beneficiários definitivos da divisão. O início efetivo da campanha e a maior exposição dos candidatos podem reorganizar as preferências do eleitorado e concentrar votos em determinados nomes.
Se isso não acontecer, porém, Bonin vê uma oportunidade para quem já aparece em posição favorável. “Se continuar, pode facilitar a vida de candidatos que hoje aparecem na frente, como a Benedita e o Crivella”, afirmou.
VEJA+IA: Este texto resume um trecho do programa audiovisual Ponto de Vista (confira o vídeo acima). Conteúdo produzido com auxílio de inteligência artificial e supervisão humana.







