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Pesquisa eleitoral dá o tom da campanha nas ruas

Enquanto equipe do primeiro colocado, Celso Russomanno, já pensa no segundo turno, José Serra, em queda nas sondagens, evita comentar resultado

Por Cida Alves e Fábio Leite - 6 set 2012, 10h13

Apesar de os candidatos insistirem na máxima de que pesquisa eleitoral é um retrato do momento e evitarem, publicamente, comemorar ou demostrar preocupação com os resultados, fato é que os reflexos dos números podem ser sentidos nas ruas. No mesmo dia da publicação de mais uma pesquisa Datafolha, o primeiro colocado, Celso Russomanno (PRB), teve uma agenda no extremo sul da cidade onde não faltaram comentários sobre a liderança e possíveis rivais no segundo turno. Já o segundo colocado, José Serra (PSDB), que registrou queda na preferência do eleitorado, teve um encontro fechado com taxistas e preferiu se calar sobre a pesquisa.

Russomanno fez seus cabos eleitorais esperarem uma hora até sua chegada ao bairro Jardim São Bernardo para uma carreata. Como de costume, a aceitação no meio do povo reflete a exposição do candidato na TV como “defensor do consumidor”, imagem que ele tenta transferir para sua figura política. Russomanno para inúmeras vezes para tirar fotos e distribuir autógrafos para famílias inteiras. O único momento de tensão foi quando um homem vestido com uma camisa do PT rompeu o clima para questionar Russomanno sobre sua experiência política.

Um candidato a vereador que acompanhava o evento fez até piada com a pesquisa eleitoral que coloca Russomanno, pela terceira vez, em vantagem sobre os demais candidatos – ele está quatorze pontos à frente de Serra. “Serra perguntou para o padrinho dele, o Kassab: o que está acontecendo? E Kassab respondeu: Tá russo, mano.” No período pré-eleitoral apostava-se na polarização da disputa em São Paulo entre o candidato tucano e o petista Fernando Haddad – o primeiro é apoiado pelo prefeito Gilberto Kassab, o outro, pelo ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva.

Diante das câmeras, Russomanno esforça-se para aparentar humildade e repete que a orientação para sua equipe é “trabalhar como se estivesse em último lugar”. Entretanto, nos bastidores, a campanha já planeja alianças para o segundo turno. “Estamos muito confiantes. Já é hora de conversar com partidos”, afirmou o presidente do conselho político da coligação que tentar eleger Russomanno, o deputado estadual Campos Machado (PTB).

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Silêncio – José Serra, que caiu mais um ponto no Datafolha e ocupa o segundo lugar com 21% ameaçado pelo petista Fernando Haddad (16%), não conseguiu escapar, mesmo em agenda fechada, do incômodo questionamento que tem sido apontado como um dos motivos do seu alto índice de rejeição (42%).

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“Será que desta vez você vai ficar até o final?”, indagou o taxista Claudemiro Agassi, de 54 anos, na sede do sindicato da categoria, na Vila Clementino, zona sul da capital. “Explica isso, Serra. Ninguém sabe por que o senhor deixou a prefeitura”, pediu outro sindicalista.

Desconfortável, o tucano agradeceu a pergunta e repetiu a resposta usada em seu programa eleitoral, de que deixou a prefeitura em 2006 e se candidatou a governador para impedir que o estado “caísse nas mãos do PT”.

O tom festivo da agenda foi dado pelo presidente do sindicato, Natalício Bezerra, que declarou apoio da entidade a Serra. O sindicalista destacou a biografia do tucano, convocou os taxistas a conquistarem votos com colegas nos pontos em que trabalham e pediu para os presentes não se desanimarem com o resultado das pesquisas. “Não vamos ficar preocupados porque caiu na pesquisa. A campanha acaba de começar. Agora, depende de todos nós”, disse Bezerra.

O sindicalista, porém, foi o único a falar publicamente sobre as pesquisas. Na coletiva, Serra disse que não comentaria o resultado do Datafolha e só respondeu a perguntas relacionadas às propostas para os taxistas. “Eu não comento pesquisa porque vale isso, vale aquilo e nós vamos ficar dando volta”, disse o tucano.

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Ainda faltam 31 dias para as eleições, marcadas para o dia 7 de outubro, que revelarão o grau de acuidade das pesquisas. Historicamente, pode haver uma virada no quadro atual, afinal, como diz outra máxima dos candidatos, eleição só se ganha na urna.

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