Group 21 Copy 4 Created with Sketch.

Pesquisa eleitoral dá o tom da campanha nas ruas

Enquanto equipe do primeiro colocado, Celso Russomanno, já pensa no segundo turno, José Serra, em queda nas sondagens, evita comentar resultado

Apesar de os candidatos insistirem na máxima de que pesquisa eleitoral é um retrato do momento e evitarem, publicamente, comemorar ou demostrar preocupação com os resultados, fato é que os reflexos dos números podem ser sentidos nas ruas. No mesmo dia da publicação de mais uma pesquisa Datafolha, o primeiro colocado, Celso Russomanno (PRB), teve uma agenda no extremo sul da cidade onde não faltaram comentários sobre a liderança e possíveis rivais no segundo turno. Já o segundo colocado, José Serra (PSDB), que registrou queda na preferência do eleitorado, teve um encontro fechado com taxistas e preferiu se calar sobre a pesquisa.

Russomanno fez seus cabos eleitorais esperarem uma hora até sua chegada ao bairro Jardim São Bernardo para uma carreata. Como de costume, a aceitação no meio do povo reflete a exposição do candidato na TV como “defensor do consumidor”, imagem que ele tenta transferir para sua figura política. Russomanno para inúmeras vezes para tirar fotos e distribuir autógrafos para famílias inteiras. O único momento de tensão foi quando um homem vestido com uma camisa do PT rompeu o clima para questionar Russomanno sobre sua experiência política.

Um candidato a vereador que acompanhava o evento fez até piada com a pesquisa eleitoral que coloca Russomanno, pela terceira vez, em vantagem sobre os demais candidatos – ele está quatorze pontos à frente de Serra. “Serra perguntou para o padrinho dele, o Kassab: o que está acontecendo? E Kassab respondeu: Tá russo, mano.” No período pré-eleitoral apostava-se na polarização da disputa em São Paulo entre o candidato tucano e o petista Fernando Haddad – o primeiro é apoiado pelo prefeito Gilberto Kassab, o outro, pelo ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva.

Diante das câmeras, Russomanno esforça-se para aparentar humildade e repete que a orientação para sua equipe é “trabalhar como se estivesse em último lugar”. Entretanto, nos bastidores, a campanha já planeja alianças para o segundo turno. “Estamos muito confiantes. Já é hora de conversar com partidos”, afirmou o presidente do conselho político da coligação que tentar eleger Russomanno, o deputado estadual Campos Machado (PTB).

Leia também:

A romaria dos candidatos pela prefeitura de São Paulo

Eleições: Serra reafirma que ficará no cargo até o fim

Silêncio – José Serra, que caiu mais um ponto no Datafolha e ocupa o segundo lugar com 21% ameaçado pelo petista Fernando Haddad (16%), não conseguiu escapar, mesmo em agenda fechada, do incômodo questionamento que tem sido apontado como um dos motivos do seu alto índice de rejeição (42%).

“Será que desta vez você vai ficar até o final?”, indagou o taxista Claudemiro Agassi, de 54 anos, na sede do sindicato da categoria, na Vila Clementino, zona sul da capital. “Explica isso, Serra. Ninguém sabe por que o senhor deixou a prefeitura”, pediu outro sindicalista.

Desconfortável, o tucano agradeceu a pergunta e repetiu a resposta usada em seu programa eleitoral, de que deixou a prefeitura em 2006 e se candidatou a governador para impedir que o estado “caísse nas mãos do PT”.

O tom festivo da agenda foi dado pelo presidente do sindicato, Natalício Bezerra, que declarou apoio da entidade a Serra. O sindicalista destacou a biografia do tucano, convocou os taxistas a conquistarem votos com colegas nos pontos em que trabalham e pediu para os presentes não se desanimarem com o resultado das pesquisas. “Não vamos ficar preocupados porque caiu na pesquisa. A campanha acaba de começar. Agora, depende de todos nós”, disse Bezerra.

O sindicalista, porém, foi o único a falar publicamente sobre as pesquisas. Na coletiva, Serra disse que não comentaria o resultado do Datafolha e só respondeu a perguntas relacionadas às propostas para os taxistas. “Eu não comento pesquisa porque vale isso, vale aquilo e nós vamos ficar dando volta”, disse o tucano.

Ainda faltam 31 dias para as eleições, marcadas para o dia 7 de outubro, que revelarão o grau de acuidade das pesquisas. Historicamente, pode haver uma virada no quadro atual, afinal, como diz outra máxima dos candidatos, eleição só se ganha na urna.