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Penúria no ex-partido de Moro: senador teve de financiar viagem à Alemanha

Eduardo Girão tirou do próprio bolso dinheiro para Moro viajar para a Europa em compromissos de pré-campanha

Por Laryssa Borges 2 abr 2022, 09h49

Abrigado em um partido pequeno e sem densidade eleitoral, o ex-juiz Sergio Moro pediu pelo menos 20 milhões de reais do Podemos exclusivamente para projetos de comunicação e para o pagamento do marqueteiro contratado para sua campanha à Presidência da República. As cifras, consideradas astronômicas para uma legenda que terá cerca de 170 milhões de reais de fundo eleitoral este ano, foram o exemplo cabal de que uma agremiação modesta com apenas nove deputados federais não poderia comprometer tamanho orçamento para um projeto presidencial que, nos melhores cenários eleitorais, chega a 9% das intenções de voto. Na quinta-feira 31, o ex-juiz anunciou que deixava o partido para se filiar ao União Brasil, resultado da fusão do DEM com o PSL.

O cenário de penúria no dia a dia da campanha de Moro no Podemos já havia levado à destituição de parte da equipe porque recursos tiveram de ser alocados para o contrato do marqueteiro Pablo Nobel. A situação ficou ainda mais evidente numa recente viagem do então pré-candidato à Alemanha. O Podemos se recusou a pagar pela agenda política, considerada de poucos ganhos eleitorais para a campanha, e o tour só saiu do papel porque o senador Eduardo Girão (Podemos-CE) se dispôs a tirar do próprio bolso o dinheiro que levaria Moro e uma pequena equipe para reuniões políticas com parlamentares do país europeu. Procurado, Girão não comentou os gastos da viagem.

Há meses senadores do partido estavam incomodados com que o chamaram de “salto alto” da pré-campanha, que havia proposto, por exemplo, o investimento de 60 milhões de reais dos cofres da sigla exclusivamente com Moro. O valor é considerado incompatível por representar mais de 35% de tudo que o Podemos tem de dinheiro público para as eleições deste ano. O problema financeiro do agora ex-partido de Moro foi agravado após o Tribunal Superior Eleitoral (TSE) ter decidido, na terça-feira 29, bloquear parte do já escasso fundo partidário do Podemos por irregularidades na prestação de contas da sigla nas eleições de 2018.

Como o caixa partidário é formado majoritariamente por recursos de fundo eleitoral, calculados a partir da bancada de deputados eleita no pleito anterior, sem a eleição do maior número possível de parlamentares em outubro, os recursos do partido ficarão ainda mais minguados. É pensando nisso que a legenda havia priorizado o caixa para campanhas de deputado federal.

MDB e PSDB, que também brigam para encampar uma candidatura de terceira via, têm fundos eleitorais muito maiores do que o Podemos, de mais de 300 milhões de reais cada. A trinca de partidos que dão suporte à reeleição de Bolsonaro – PL, PP e Republicanos – chegam a mais de 860 milhões, e o PT sozinho, com cerca de 480 milhões de fundo eleitoral, só perde para o União Brasil, o novo partido de Sergio Moro, com estimativa de 800 milhões de reais.

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