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PDT marca convenção e tenta trocar ministro do Trabalho

Partido elegerá novo diretório nacional no próximo dia 22; grupo de Carlos Lupi quer indicar novo nome para o Ministério do Trabalho

Por Da Redação 5 mar 2013, 13h19

Na expectativa de indicar um novo nome para o Ministério do Trabalho, o comando do PDT organiza a convenção nacional do partido no próximo dia 22. A tendência é que Carlos Lupi seja reconduzido à presidência da legenda. A vitória iminente do grupo de Lupi deverá ampliar a pressão pela substituição do ministro do Trabalho, Brizola Neto, filiado à sigla. Além das críticas à condução da pasta, há insatisfação no PDT pela forma como Brizola Neto chegou ao cargo. Ele é considerado uma escolha pessoal da presidente Dilma Rousseff e não um representante do partido no primeiro escalão do governo.

As declarações recentes de Brizola Neto contra a criação de sindicatos pioraram suas relações no partido. “Que precisa haver reforma no sindicalismo, todos nós sabemos, mas ele foi vazio nas posições. As dificuldades hoje do Ministério do Trabalho vão além do sindicalismo. A inspeção do trabalho está desprestigiada, houve esvaziamento na área de qualificação profissional e o ministério precisa ser revigorado”, afirmou o líder do PDT na Câmara e primeiro vice-presidente do partido, André Figueiredo (CE).

No início de fevereiro, Lupi esteve com a presidente Dilma Rousseff em uma primeira conversa. “Após a convenção nacional, esperamos uma segunda e conclusiva conversa com a presidente Dilma, não só para falar do ministério, mas sobre as relações do partido com o governo”, afirmou o secretário de Relações Internacionais do PDT, deputado Vieira da Cunha. A bancada acredita que, após a disputa interna e a eleição do diretório, o comando do PDT estará legitimado a dar continuidade à conversa com a presidente.

Na reunião preparatória para a convenção, na segunda-feira, a cúpula do partido considerou não haver apoio automático à reeleição da presidente Dilma em 2014. “É prematura essa discussão. A tese que prevalece é que somos da base, e 2014 se discutirá em 2014”, afirmou, nesta terça-feira, André Figueiredo. “Em 2013, queremos contribuir com o governo com ideias”, continuou o líder, lembrando que o PDT foi o primeiro partido a manifestar apoio à candidatura da presidente Dilma, em 2010, mesmo antes do PT.

“O partido não tem alinhamento automático com a reeleição”, disse Vieira da Cunha. Ele argumentou que a primeira hipótese a ser examinada é uma candidatura própria, como aconteceu anteriormente, quando a legenda concorreu com o senador Cristovam Buarque (PDT-DF), em 2006. Para Vieira da Cunha, a segunda alternativa é o apoio à presidente Dilma, embora considere que a candidatura do governador de Pernambuco, Eduardo Campos (PSB), também deva ser analisada.

“Será uma nova eleição e o novo quadro político terá de ser examinado. A alternativa de Eduardo Campos é concreta e temos obrigação de examiná-la. Nós temos relações próximas com o PSB, somos partidos do mesmo campo e temos identidade ideológica. Nós vamos examinar essa hipótese oportunamente. O partido vai amadurecer esse debate interno e tomar a decisão no ano que vem”, completou Vieira da Cunha.

O encontro do deputado e presidente da Força Sindical, Paulo Pereira da Silva (PDT-SP), com Eduardo Campos, nesta segunda-feira, em Pernambuco, foi interpretado pelo partido como uma atividade do líder sindical. “O Paulinho é um deputado que tem conduta própria. É uma liderança sindical, mas não foi dialogar em nome do PDT. Ele é o nosso indicado para tratar sobre a medida provisória dos portos, a MP 595. Delegamos essa função a ele. Mas nada sobre sucessão presidencial. É muito prematuro”, disse André Figueiredo.

(Com Estadão Conteúdo)

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