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Pauta de Flávio, PCC tirou o sono de Bolsonaro, que projetava desgaste e impeachment

Ex-presidente pediu a então ministro Sergio Moro para não transferir faccionados por temor de repercussões políticas e sociais

Por Laryssa Borges Materia seguir SEGUIR Materia seguir SEGUINDO 5 jul 2026, 17h05
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A classificação do Primeiro Comando da Capital (PCC) e do Comando Vermelho (CV) como organizações terroristas internacionais pelo governo de Donald Trump deu combustível político para a campanha presidencial do senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), mas também expôs uma contradição do herdeiro do bolsonarismo com o pai Jair Bolsonaro, que ao longo de seu governo considerava que melindrar a facção comandada por Marcola, por exemplo, poderia dar combustível para que ele perdesse o cargo em um processo de impeachment.

Bem ao estilo do patriarca dos Bolsonaro, a teoria conspiratória levava em conta a hipótese de detentos de todo o país se rebelarem contra a transferência de Marcola de um presídio federal para outro. O deslocamento do mais célebre personagem do sistema carcerário e que tirou o sono do então presidente foi organizado para fevereiro de 2019 depois que órgãos de inteligência detectaram que havia risco de fuga do capo do presídio de segurança máxima de Porto Velho.

Naquele mês o então ministro da Justiça Sergio Moro transferiu 22 líderes do PCC do presídio de Presidente Venceslau (SP) para penitenciárias federais de segurança máxima. Na cabeça de Bolsonaro, na sequência, a facção criminosa se rebelaria contra uma ordem de transferência de Marcola e aterrorizaria a população. Insuflado pelo núcleo mais ideológico do governo, que semeava terias segundo as quais o Congresso trabalhava para derrubar o governo ainda nos primeiros meses de mandato, Jair Bolsonaro se convenceu de que mexer com o PCC seria pavimentar o caminho para um futuro processo de impeachment. Dias antes da transferência dos faccionados, o então presidente pediu que o ministro da Justiça não mexesse com os criminosos. Nas palavras de Moro: “A poucos dias da deflagração da Operação Imperium, fui surpreendido com uma mensagem dele [Bolsonaro] no meu celular sugerindo o cancelamento das transferências. Bolsonaro disse estar receoso de possíveis retaliações do crime organizado contra a população civil e temia que, se isso acontecesse, o governo federal fosse responsabilizado, inclusive com impeachment no Congresso”.

Em meio a desgastes na própria campanha – do áudio em que aparece pedindo dinheiro para o banqueiro Daniel Vorcaro para financiar um filme sobre o pai até a recente lavagem de roupa suja pública com a ex-primeira-dama Michelle Bolsonaro – Flávio tem tentado associar o presidente Lula ao PCC. Assim o fez depois da prisão do vereador petista Senival Moura, quando disse que o mandatário havia trabalhado para proteger a facção. Semanas antes, disse que o adversário político parecia “o chefe do PCC” por se manifestar de forma contrária à decisão da Casa Branca contra as facções brasileiras. Na sexta-feira, 3, a Polícia Federal prendeu Stella Stefanie Nunes Henrique de Oliveira, secretária de uma trading e alvo de punições dos Estados Unidos por pretensa relação com o PCC.

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