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Patrimônio de Delúbio cresceu 46% entre mensalão e condenação no STF

Ex-tesoureiro petista, perdoado judicialmente em março pelo Supremo, foi conduzido coercitivamente a depor na 27ª fase da Operação Lava Jato

Por Da Redação - 5 abr 2016, 17h10

Perdoado pelo Supremo Tribunal Federal (STF) de sua pena no mensalão no mês passado, mas conduzido coercitivamente a depor na 27ª fase da Operação Lava Jato na última sexta-feira, o ex-tesoureiro do PT Delúbio Soares teve seu sigilo quebrado pela força-tarefa baseada em Curitiba. O relatório da Receita Federal a respeito da variação patrimonial de Delúbio, tornado público nesta terça-feira pelo juiz federal Sergio Moro, mostra que de 2005, quando o ex-deputado federal Roberto Jefferson explodiu o esquema compra de apoio político ao governo Lula, até o julgamento do mensalão, em 2012, o patrimônio do ex-tesoureiro petista saltou de 186.100 reais para 271.370 reais, um crescimento de 46%. Delúbio Soares deixou a tesouraria da sigla em julho de 2005.

A prosperidade do mensaleiro, sobretudo no período entre 2008 e 2011, quando foram declaradas ao fisco variações patrimoniais positivas num total de 108.745 reais, foi alavancada por pagamentos de algumas empresas listadas pela Receita Federal. A Mil Povos Consultoria, controlada por Kjeld Jakobsen, diretor do Instituto Perseu Abramo, ligado ao PT, pagou a Delúbio 235.418 reais, enquanto a Crown Holding e Aquisições, cujo dono é José Antonio Soares Pereira Junior, citado na CPMI dos Correios como beneficiário de um repasse de 21.840 reais de Marcos Valério, desembolsou 214.479 reais ao ex-tesoureiro do PT.

O ciclo de bonança de Delúbio Soares terminou no ano em que ele foi condenado a 6 anos e 8 meses de prisão. Em 2012, o patrimônio dele encolheu 4% em relação ao ano anterior, passando de 282.634 reais a 271.370 reais. Em 2013, ano seguinte à sentença do STF, Delúbio continuou perdendo posses: menos 3,5%.

As baixas registradas pela Receita Federal terminaram em 2014, quando o petista abriu uma conta para arrecadar dinheiro ao pagamento da multa de 466.800 reais imposta pelo Supremo. Delúbio amealhou dos doadores, naquele ano, a quantia de 1.179.310 reais. Paga a multa e repassados 533.000 reais aos igualmente mensaleiros João Paulo Cunha e José Dirceu, Delúbio viu seu patrimônio saltar 58%: de 264.316 reais em 2013 para 418.717 reais em 2014.

Os 154.000 reais restantes da arrecadação ao pagamento da multa foram declarados à Receita em 2014 sob a rubrica “Caderneta de poupança – Caixa Econômica Federal”.

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