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Para oposição, entrevista de Gabrielli reforça CPI

Segundo o ex-presidente da Petrobras, Dilma "não pode fugir de sua responsabilidade" na compra da refinaria de Pasadena

Por Da Redação 21 abr 2014, 07h45

Em uma semana considerada decisiva para a instalação de uma Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) da Petrobras, a oposição acredita que a entrevista do ex-presidente da estatal José Sérgio Gabrielli ao jornal O Estado de S. Paulo reforça seus argumentos a favor de uma investigação no Congresso que apure negócios da empresa.

Na entrevista, Gabrielli afirma que a presidente Dilma Rousseff “não pode fugir de sua responsabilidade” pela decisão da compra da refinaria de Pasadena, nos Estados Unidos- operação iniciada em 2006 e concluída em 2012, após a Petrobras perder uma batalha judicial com a empresa belga Astra Oil. A aquisição da refinaria localizada no Texas, ao custo final de US$ 1,2 bilhão, é a principal polêmica que envolve a estatal. Dilma, então ministra da Casa Civil, era a presidente do conselho de administração da empresa na época do negócio.

“O objetivo dela (a CPI) é exatamente determinar, sem qualquer pré-julgamento, qual é a responsabilidade de cada um nesse caso da refinaria de Pasadena e em outros episódios envolvendo a Petrobras. A CPI não é uma demanda das oposições, como querem fazer crer alguns governistas, mas sim da sociedade brasileira”, afirmou no domingo o pré-candidato do PSDB à Presidência, Aécio Neves.

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No Palácio do Planalto, a entrevista de Gabrielli foi tratada com discrição. Auxiliares da presidente procuraram minimizar o impacto da fala do ex-presidente da Petrobras. A avaliação é que se trata de uma linha de defesa adotada por Gabrielli, já que a operação de compra da refinaria de Pasadena está sob investigação da Polícia Federal, do Ministério Público e do Tribunal de Contas da União (TCU), e ele poderá ser chamado a depor.

A expectativa é de que a ministra Rosa Weber, do Supremo Tribunal Federal, decida na terça-feira se o Congresso pode instalar uma CPI restrita à estatal, como querem os oposicionistas, ou ampliada – para investigar também o cartel dos trens em São Paulo e no Distrito Federal e obras no Porto de Suape, em Pernambuco -, como desejam os governistas.

Líder do PSB na Câmara, o deputado Beto Albuquerque (RS) afirmou que, além de mostrar a necessidade de se fazer a CPI para investigar a operação de compra de Pasadena, ficou claro que Gabrielli “deu um puxão de orelhas” em Dilma.

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“Quando o Gabrielli assume a responsabilidade pela compra de Pasadena, por ser o presidente da companhia, na época, ele está sendo honesto. Não tem como negar que é mesmo o responsável. E não há como negar que Dilma, então presidente do Conselho de Administração, tem responsabilidade igual”, disse. “O Gabrielli botou a bola na marca do pênalti.”

Já para o líder do PSDB no Senado, Aloysio Nunes Ferreira (SP), Gabrielli foi muito claro. “Ele disse, sem rodeios: �somos todos responsáveis�. Não adianta achar que uns vão tirar a sardinha do fogo com a mão do gato. Está muito claro que a então ministra Dilma Rousseff era responsável pela decisão da compra da refinaria. Ela era presidente do Conselho de Administração, que aprovou a compra.”

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Gabrielli também reforçou a afirmação de que o resumo executivo em que o conselho baseou sua decisão sobre a compra foi “omisso”, mas não falho. O ex-presidente da estatal, contudo, acrescentou que isso não foi relevante para a decisão.

Dilma havia afirmado que só aprovou a compra de 50% da refinaria da Astra Oil, em 2006, porque o resumo executivo feito na época pelo então diretor da área internacional da Petrobras Nestor Cerveró foi “falho” por não conter as cláusulas Put Option – que obrigava a Petrobras a adquirir a outra metade da refinaria em caso de desentendimento com a sócia – e Marlin – que garantia lucro mínimo ao grupo belga.

Na semana passada, Nestor Cerveró prestou depoimento na Câmara dos Deputados. Defendeu-se, dizendo que o resumo executivo que fez não foi determinante para a compra e que as cláusulas omitidas eram irrelevantes para a decisão do conselho.

Para o deputado José Guimarães (CE), vice-presidente nacional do PT e ex-líder do partido na Câmara, a oposição tenta fazer um “carnaval”. “Isso que o Gabrielli falou não tem importância nenhuma. Está claro que a oposição fez um carnaval do tamanho do mundo com os depoimentos da Graça Foster e do Nestor Cerveró, que responderam tudo”, afirmou.

(Com Estadão Conteúdo)

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