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Para MP, Flávio era ‘líder’ de organização criminosa em gabinete na Alerj

Ex-assessor Fabrício Queiroz, preso na quinta-feira, é apontado como operador de esquema de 'rachadinha' que movimentou R$ 2 milhões em 11 anos

Por Redação - Atualizado em 19 jun 2020, 11h30 - Publicado em 19 jun 2020, 10h36

As investigações do Ministério Público do Rio de Janeiro que levaram à prisão do ex-assessor Fabrício Queiroz na Operação Anjo, na quinta-feira 18, apontam o senador Flávio Bolsonaro (Republicanos-RJ) como o “líder” de uma organização criminosa que funcionava em seu gabinete na Assembleia Legislativa do Rio (Alerj), enquanto ele era deputado estadual, e cometia crimes de peculato na prática da “rachadinha”, desvio de salários de servidores. Queiroz é apontado pelo MP fluminense como operador do esquema, cujos repasses teriam chegado a 2 milhões de reais entre abril de 2017 a dezembro de 2018.

Na decisão em que autorizou as prisões de Fabrício Queiroz e sua mulher, Márcia de Oliveira Aguiar, o juiz Flávio Itabaiana de Oliveira Nicolau aponta que, segundo a Promotoria, “as movimentações bancárias atípicas e o contexto temporal nas quais foram realizadas resultam em evidências contundentes da função exercida por Fabrício José Carlos de Queiroz como operador financeiro na divisão de tarefas da organização criminosa investigada, tanto na arrecadação dos valores desviados da Alerj quanto na transferência de parte do produto dos crimes de peculato ao patrimônio familiar do líder do grupo, o então deputado estadual Flávio Nantes Bolsonaro”.

Preso pela polícia em Atibaia (SP), em uma propriedade do advogado de Flávio e do presidente Jair Bolsonaro, Frederick Wassef, Fabrício Queiroz pagou as mensalidades das escolas das filhas do senador e fez ao menos um depósito de 25.000 reais pessoalmente na conta da mulher dele, Fernanda Antunes Figueira Bolsonaro.

“Queiroz não se limitava à arrecadação dos valores junto aos demais assessores, já que o aludido investigado também transferia parte dos recursos para o patrimônio familiar do ex-deputado estadual Flávio Bolsonaro, mediante depósitos bancários que ocorriam de forma fracionada em valores menores e pagamentos de despesas pessoais”, diz trecho da decisão proferida pelo juiz Flavio Itabaiana.

A investigação também mostrou que Márcia Oliveira de Aguiar, mulher de Queiroz, recebeu em dinheiro 174.000 reais, “de origem desconhecida”, que foram usados para custear o tratamento de câncer a que o ex-assessor foi submetido no Hospital Albert Einstein, um dos mais luxuosos de São Paulo.

Os pagamentos à família de Flávio Bolsonaro revelam que Queiroz não era um mero funcionário do seu gabinete quando ele era deputada estadual na Assembleia Legislativa do Rio. Nas palavras do MP, o ex-assessor era o “operador financeiro” do esquema. Os promotores ainda afirmaram que o padrão de vida do policial militar reformado “parecia estar acima de suas posses” e que ele estava recebendo dinheiro de terceiros para se manter nos últimos meses.

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Acharam o Queiroz. E perto demais Leia nesta edição: como a prisão do ex-policial pode afetar o destino do governo Bolsonaro e, na cobertura sobre Covid-19, a estabilização do número de mortes no Brasil
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