Group 21 Copy 4 Created with Sketch.

Para atrair filiados, DEM muda programa e tenta ser de ‘centro’

Ao 'suavizar' seu ideário de direita, partido pretende tomar o lugar do PSDB e sonha em disputar a Presidência nas eleições de 2018

Alçado ao comando da Câmara com o deputado Rodrigo Maia (RJ), o DEM voltou a sonhar com a Presidência da República. Nos bastidores, o antigo PFL — que também já foi Arena e PDS — prepara uma recauchutagem pragmática. O objetivo imediato é se tornar uma das maiores siglas no Congresso, recebendo deputados insatisfeitos em suas legendas. O principal objetivo, no entanto, é suplantar o PSDB, aliado histórico, para eleger oito governadores e tentar alcançar, de forma inédita, o Palácio do Planalto.

Há 28 anos o DEM não consegue nem apresentar um candidato ao Planalto – duas gerações de eleitores nunca puderam votar num político do partido para presidente. O último foi Aureliano Chaves, em 1989.

Na era petista, o DEM passou treze anos no extremo da oposição e regrediu no perfil parlamentar. Se chegou a 105 deputados em 1998, elegeu apenas 21 em 2014. Passou por uma cisão liderada pelo ministro da Ciência e Tecnologia, Gilberto Kassab, em 2011, que deu origem ao PSD, e chegou a arquitetar uma fusão fracassada com o PTB, em 2015.

Hoje, o partido está com 30 deputados e nenhum governador. Seu único integrante de relevância no Executivo é o prefeito de Salvador, ACM Neto. “A prioridade é desenvolver um projeto presidencial. Se não der tempo, estamos abertos a conversas com todo mundo, desde que haja convergência de visões”, diz Neto.

Maia tem articulado para viabilizar a migração dos parlamentares. A meta é reunir entre cinquenta e sessenta deputados. A maioria dos insatisfeitos vem de uma dissidência do PSB, como Danilo Forte (CE), Tereza Cristina (MS), Fabio Garcia (MT) e Heráclito Fortes (PI). Também há afinidade com nomes do PSDB, PSD e PMDB. “Os acordos regionais estão fechados e não há conflito ideológico nem programático”, diz o presidente do DEM, senador Agripino Maia (RN).

A estratégia do DEM para receber insatisfeitos do PSB é “suavizar” seu ideário de direita, trabalho do qual participam os ex-ministros Gustavo Krause e Roberto Brandt, o economista Marcos Lisboa e o ex-prefeito do Rio Cesar Maia, que é pai de Rodrigo Maia.

Ao tentar ocupar o centro no espectro ideológico, o DEM toma como exemplo o presidente francês, Emmanuel Macron. “O posicionamento do [deputado federal Jair] Bolsonaro à extrema direita desloca o DEM para o centro. E o Lula (PT), que já ocupou o centro no governo, voltou o pêndulo para a extrema esquerda, com apoio ao [presidente Nicolás] Maduro na Venezuela”, diz o líder do DEM na Câmara, Efraim Filho (PB).

Nos rascunhos de um manifesto que o partido planeja divulgar entram temas que são considerados palatáveis à classe média. “Seremos intolerantes com o crime”, diz um trecho do programa. Outras propostas são ter menos ideologia na educação, retomada do emprego, flexibilização do estatuto do desarmamento e redução do tamanho do estado.

Um dos entraves do DEM é não ter um presidenciável com popularidade. A opção, hoje, seria “receber” nomes com afinidade, como o ministro da Fazenda, Henrique Meirelles, hoje no PSD, e o prefeito tucano João Doria (SP). Semana passada, em Salvador, ACM Neto jantou com Doria, que depois confirmou o “interesse” do partido.

(Com Estadão Conteúdo)

Comentários

Não é mais possível comentar nessa página.

  1. Ronaldo Serna Quinto

    Lamentável!!! Todos os partidos políticos brasileiros tem o mesmo cheiro fétido da esquerda!

    Curtir

  2. Daniel Benevides

    Podem juntar toda essa corja. Vão levar uma lavada do Bolsonaro. Publica ai Veja, por favor.

    Curtir

  3. Ataíde Jorge de Oliveira

    Çentrinho vs. ÇeNTRãO — Vão Todos eLLe$ é : BaiXaR n’Outro_CENTRO, Né_NãO 😮

    Curtir

  4. Ricardo Silva

    esquerda, centro e direita são políticas ideológicas, mas os quarenta e tantos partidos no brasil suas políticas são o poder econômico roubando.

    Curtir