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Paes sai em defesa de Pedro Paulo em caso de agressão à ex-mulher: ‘Tema superado’

Prefeito repetiu fórmula que já havia sido usada por colegas de partido e tratou o inquérito em que seu pupilo aparece como agressor como 'questão privada'

Por Leslie Leitão 2 nov 2015, 07h37

A revelação, por VEJA, do inquérito em que o secretário executivo de Coordenação de Governo da prefeitura do Rio de Janeiro, Pedro Paulo Carvalho, aparece como agressor de sua ex-mulher tornou-se motivo de preocupação no PMDB. Apresentado como candidato à sucessão de Eduardo Paes em 2016, Pedro Paulo é o atual braço-direito do prefeito carioca. Paes falou sobre o caso pela primeira vez neste domingo, em reportagem do jornal O Globo. Como já fizeram outros membros do partido, ele tratou a questão como ‘fofoca da oposição’.

“É um tema da vida privada, já superado e esclarecido, que não atrapalha a candidatura. Eu e o PMDB seguiremos fazendo campanha para o Pedro Paulo, que é definitivamente o melhor para o Rio e quem melhor representa as conquistas do partido na cidade. O resto é fofoca de adversários que já perceberam a força da candidatura de Pedro Paulo, que vencerá as eleições”, afirmou o prefeito em nota.

Laudo de exame de corpo delito
Laudo de exame de corpo delito VEJA

O mesmo discurso já foi usado por outros aliados. Na Assembleia Legislativa do Rio de Janeiro (Alerj), o deputado Tiago Mohamed foi duramente criticado por colegas, especialmente deputadas, ao tratar da questão como ‘problema pessoal’. “É lamentável ver questões de foro íntimo serem trazidas ao debate político. (…) Uma questão da vida privada do deputado Pedro Paulo”, disse o deputado.

Não se trata simplesmente de um tema da vida privada do casal. Como informou o site de VEJA, pelo testemunho de uma babá e relatos da própria mulher, Alexandra Marcondes Teixeira, Pedro Paulo a teria agredido a socos e pontapés. A ocorrência policial foi registrada em 2010. Alexandra contou à polícia que chegou em casa de surpresa e descobriu que Pedro Paulo havia levado uma misteriosa companhia para dentro do apartamento onde viviam, na Barra da Tijuca. Ela pediu a separação e, indignado, o então secretário da Casa Civil de Paes teria começado a agredi-la. “Ele (Pedro Paulo) aplicou na declarante (Alexandra) um violento soco, que atingiu seu olho esquerdo”, declarou Alexandra em seu depoimento na Delegacia Especial de Atendimento à Mulher (Deam) de Jacarepaguá, na Zona Oeste.

O inquérito ficou cinco anos e oito meses parado e ele sequer foi interrogado. Há duas semanas o caso foi encaminhado para o Ministério Público. A Polícia Civil determinou que a corregedoria investigasse os motivos de tanta demora.

O procurador geral do MP, Marfan Martins Vieira, encaminhou o inquérito para a subprocuradoria geral de assuntos internos. Com esse parecer, ele vai decidir como encaminhar o caso. Apesar da pressão política que vem sendo feita para que o procurador arquive o caso, juristas afirmam que a atribuição é só do procurador-geral da República, Rodrigo Janot, já que o acusado é deputado federal e tem foro privilegiado.

Pedro Paulo não respondeu às perguntas enviadas pelo site de VEJA na semana passada. Ele decidiu não falar sobre o caso alegando que Alexandra voltou atrás das acusações, dizendo agora que tudo foi inventado para prejudicá-lo. O site de VEJA procurou especialistas na Lei Maria da Penha: “Em 2012 o STF decidiu que é uma ação incondicionada, ou seja, o MP pode prosseguir com a ação mesmo que a vítima desista. Ainda mais neste tipo de situação, em que o laudo de agressão é revelador”, explicou um juiz que atua diariamente em casos semelhantes.

Apesar de agora negar qualquer briga, Alexandra, de fato, foi submetida ao exame de corpo de delito na época. E ele atesta as agressões, com marcas roxas nas pernas, nos olhos e até um dente quebrado. Pedro Paulo também não fala sobre a acusação que ele mesmo fez contra a ex-mulher. Na noite da briga, o secretário procurou a delegacia da Barra, denunciou Alexandra por agressão e também foi submetido a exame de corpo de delito, que comprovou que Alexandra também o atacou com ‘unhadas’.

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