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Paes: ‘Precisamos de alguém à frente da segurança no Rio com autoridade’

Prefeito da capital fará encontro do PSD neste sábado e apresentará pré-candidatura de Felipe Santa Cruz, presidente da OAB, ao governo do estado

Por Cássio Bruno Atualizado em 21 out 2021, 14h22 - Publicado em 21 out 2021, 14h01

No primeiro encontro estadual do PSD no Rio de Janeiro sob seu comando, neste sábado, 23, às 9h, o prefeito da capital, Eduardo Paes, dará o pontapé inicial à pré-candidatura do presidente da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB), Felipe Santa Cruz, ao governo fluminense. O encontro ocorrerá no Hotel Windsor Oceânico, na Barra da Tijuca, Zona Oeste, e terá a presença do presidente nacional do partido, Gilberto Kassab, e do presidente do Senado, Rodrigo Pacheco, que poderá concorrer à Presidência da República, em 2022, como um dos nomes da terceira via contra a polarização entre o presidente Jair Bolsonaro (sem partido) e o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT).

“Temos um desafio enorme no estado do Rio. A gente precisa fazer uma mudança drástica na forma de fazer política. O Felipe junta capacidade de interlocução e experiência política. A própria posição dele de presidente da OAB nacional e também no Rio durante muitos anos dá essa dimensão para ele. Precisamos de alguém à frente da questão da segurança pública com autoridade, que tenha uma retidão moral e diálogo suficientes com sistema de segurança. Não é só com a polícia. É com o sistema penitenciário, o Ministério Público, o Judiciário. Isso o Felipe tem muito. É um quadro qualificado. Estamos oferecendo o melhor para o estado”, afirmou Paes a VEJA.

Em 26 de maio, Eduardo Paes assinou a ficha de filiação no PSD. Desde 2018, o prefeito estava no DEM. Ele e seu grupo político deixaram o partido após o rompimento do aliado e ex-presidente da Câmara, Rodrigo Maia, com o presidente da legenda, Antônio Carlos Magalhães Neto. Antes, Paes era filiado ao MDB, mas sofreu desgaste após as prisões de ex-aliados como o ex-governador Sérgio Cabral e o ex-presidente da Assembleia Legislativa (Alerj), Jorge Picciani, entre outros, alvos de ações da Polícia Federal e do Ministério Público desencadeadas a partir da Operação Lava-Jato.

Em setembro do ano passado, Paes foi alvo de buscas e apreensões em sua casa. A Justiça Eleitoral aceitou denúncia do Ministério Público estadual por suspeita de corrupção, falsidade ideológica e lavagem de dinheiro. O prefeito sempre negou irregularidades. Nove meses antes, a Justiça absolveu Paes em uma ação de improbidade administrativa. Ele também foi absolvido em acusação de fraude na contratação de serviços na Jogos Mundiais da Juventude, em 2013. Paes ainda chegou a ser citado em delação premiada na Lava Jato. Seu ex-secretário de Obras, Alexandre Pinto, foi preso por corrupção.

O pré-lançamento de Felipe Santa Cruz ao Palácio Guanabara é um balde de água fria nas pretensões do governador Cláudio Castro (PL), que tentará a reeleição, e do deputado federal Marcelo Freixo (PSB). Até então, ambos buscavam aproximação e apoio de Eduardo Paes. Aliado de Bolsonaro, Castro, nos bastidores, quer se descolar do presidente. Enquanto isso, Freixo sonha em unir partidos de esquerda e de centro em sua aliança e na de Lula. Paes, por sua vez, pedirá votos, ao menos no primeiro turno, para Rodrigo Pacheco caso ele dispute mesmo a eleição presidencial no ano que vem. Oposição ao clã Bolsonaro e amigo de Lula, o prefeito tem planos de ser reeleito, em 2024, e de disputar o governo do Rio, em 2026.

Em julho de 2019, Santa Cruz se viu em meio a uma polêmica após uma declaração de Bolsonaro: “Um dia, se o presidente da OAB quiser saber como é que o pai dele desapareceu no período militar, eu conto. Ele não vai querer ouvir a verdade. Eu conto para ele”. Santa Cruz é filho de Fernando Augusto de Santa Cruz Oliveira, um estudante de Direito que desapareceu em 1974, após ser preso por militares agentes do Doi-Codi.

Entre parlamentares do PSD, a candidatura de Santa Cruz ainda é vista com desconfiança. Para alguns, o presidente da OAB ainda é um nome inexpressivo para uma disputa eleitoral majoritária. Eles defendem que Santa Cruz concorra a uma vaga de deputado federal. Nas últimas pesquisas de intenção de voto, Santa Cruz tem média de 2% a 4%. Santa Cruz foi eleito presidente da OAB em janeiro de 2019. Seu mandato irá até o início de 2022, quando só então ocorrerá a sua filiação ao PSD. Ele é graduado pela PUC-Rio e mestre em Direito e Sociologia pela Universidade Federal Fluminense (UFF). Também presidiu a OAB fluminense e já foi candidato a vereador do Rio pelo PT.

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