Clique e Assine por apenas R$ 0,50/dia

Paes, no segundo turno: ‘Se eleito, vou trabalhar junto com o presidente’

Após sair na frente na preferência dos eleitores do Rio de Janeiro, o ex-prefeito disputará o segundo turno com o atual mandatário, Marcelo Crivella

Por Sofia Cerqueira Atualizado em 16 nov 2020, 11h01 - Publicado em 16 nov 2020, 10h29

O ex-prefeito Eduardo Paes (DEM), candidato mais bem votado no primeiro turno das eleições no Rio de Janeiro, respondeu a VEJA, com exclusividade, a cinco perguntas sobre como vai conduzir a campanha nas próximas duas semanas e detalhou como serão, se eleito, seus primeiros dias à frente do Palácio da Cidade. Paes, que comandou o município entre 2009 e 2016, recebeu 37,01% (974.804) dos votos dos eleitores da capital fluminense, contra 21,9% (576.825) votos do atual prefeito, Marcelo Crivella (Republicanos).

Veja a seguir as respostas enviadas, por e-mail, pelo candidato:

Caso eleito, o que será feito nos primeiros dias de governo para arrumar a casa?

Elaborei uma série de 25 medidas para dar início ao meu governo, que formam o chamado “Plano de 100 dias”. Dentre essas ações estão: preparar as Clínicas da Família para a campanha de vacinação contra Covid-19 e iniciar (por meio de atividades coletivas e da recuperação das Academias Cariocas) as ações voltadas para o programa de assistência e apoio à saúde mental com o objetivo de reduzir imediatamente a atual epidemia de depressão e ansiedade decorrentes da pandemia. Vamos garantir o pleno abastecimento de medicamentos e outros materiais de consumo nas unidades de saúde e recompor grande parte das equipes de saúde da família e bucal. Esta série de medidas ainda prevê que vamos iniciar o Programa Conect@dos e distribuir gratuitamente tablets e internet móvel para os alunos da rede pública; fazer o planejamento do programa “2 anos em 1” para a volta às aulas, que tem o foco no diagnóstico da rede, acolhimento e reforço escolar. Também está previsto garantir a presença da Guarda Municipal e/ou do programa Segurança Presente em todas as estações do BRT; apresentar o Plano BRT com Dignidade para garantir seu funcionamento adequado e criar um fundo da Prefeitura para garantir a oferta de crédito a micro e pequenas empresas, sobretudo para restaurantes e comércios de rua afetados pela pandemia. Entre as medidas dos 100 dias está também a revisão da lei que aumentou o IPTU na cidade.

Qual a prioridade número um do seu mandato?

A Saúde, sem dúvida. O que a gente tem hoje é um abandono completo da rede de atenção básica, postos de saúde e Clínicas da Família, que perderam completamente as equipes de saúde da família e praticamente não têm médicos. Vamos reequipar as Clínicas de Saúde de Família, os postos de saúde e reformá-los. Iremos recontratar as equipes de saúde de família e os médicos que foram demitidos, e promover a regularização no fornecimento de medicamentos. Além da recuperação da rede de atendimento básico de saúde, ainda vou retomar projetos como o Programa de Atendimento Domiciliar ao Idoso (PADI) e o Cegonha Carioca que foram drasticamente reduzidos. Além de erguer um Hospital do Olho, especializado em oftalmologia e implantar 21 clínicas de várias especialidades (cardiologia, saúde da mulher, odontologia, entre outras), incluindo ainda 13 centros de diagnóstico por imagem.

Continua após a publicidade

A cidade do Rio está com o caixa orçamentário minguado. Como vai arranjar dinheiro para começar a trabalhar?

Vamos recuperar a situação financeira do município e restabelecer a gestão eficiente da máquina da Prefeitura. Temos que ter rédea curta nos custos, rever contratos e cortar despesas desnecessárias. Em suma, não gastar mais do que se arrecada. Por outro lado, é preciso atrair investimentos para a nossa cidade com foco nos setores de turismo, tecnologia, saúde, energia, audiovisual, economia criativa. Garanto que recursos não faltam, mas é preciso ter capacidade de gestão. Já provei durante os meus oito anos como prefeito que é possível fazer. Não à toa, durante a minha gestão o “grau de investimento” chegou a superar por dois anos a nota do Brasil, aferido pelas três principais agências de risco soberano – Moody’s, Fitch e Standard & Poor’s. O feito foi considerado pelas próprias agências algo inédito no mundo.

Em caso de vitória, pretende ligar para o presidente Jair Bolsonaro?

Se os cariocas me derem a honra de representá-los novamente, vou trabalhar junto com o presidente e com o governador que estiver no Palácio Guanabara. Fiz isso nos meus mandatos anteriores, quando trabalhei com três presidentes diferentes e três governadores. Com todos mantive um excelente relacionamento por um motivo: o interesse do Rio deve estar acima de tudo. Brigar só atrapalha o crescimento da cidade e prejudica os cariocas.

Qual a estratégia para vencer o pleito no segundo turno?

Vou continuar trabalhando duro para mostrar ao carioca que o Rio precisa de uma gestão competente e eficiente e que não é possível mais arriscar e apostar em um novo Crivella ou num novo Witzel. Sei que não era tudo perfeito no nosso governo, mas todos lembram o quanto trabalhamos para melhorar a vida do povo do Rio. O Rio não aguenta mais um incompetente ou um farsante. Os cariocas querem de volta o Rio que dava certo. Com gestão e dedicação vamos fazer o Rio voltar a dar certo.

OBS: Procurado, o prefeito Marcelo Crivella (Republicanos), que também garantiu o seu lugar no segundo turno, não respondeu às perguntas enviadas pela redação de VEJA.

Continua após a publicidade
Publicidade