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Paes: ‘Não é por ausência de escolas que o Alemão está desse jeito’

Alvo de constantes críticas do secretário José Mariano Beltrame, prefeito do Rio afirma que maior parte do problema da violência é ‘questão de segurança pública’

Por Leslie Leitão 8 abr 2015, 17h39

O secretário de Segurança Pública do Rio de Janeiro, José Mariano Beltrame, tem criticado os governos estadual e municipal com frequência para tentar justificar o crescimento da criminalidade que, desde o ano passado, vai se alastrando dentro e fora das favelas com Unidades de Polícia Pacificadora (UPPs). Para o homem que comanda a pasta desde janeiro de 2007, a falta de investimentos em outras áreas – em especial no social e nos demais serviços públicos – tem sido a grande responsável pelo momento de terror que, diariamente, ganha os noticiários da cidade. Na manhã desta quarta-feira, porém, o prefeito Eduardo Paes decidiu reagir. Durante uma visita que marcou o início das obras da Clínica da Família da Maré, prevista para inaugurar em dezembro, na Favela Vila dos Pinheiros, ele deixou claro que Beltrame precisa assumir sua parcela de responsabilidade.

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O prefeito usou como exemplo o caso do menino Eduardo de Jesus, de 10 anos, assassinado no último dia 1º durante um patrulhamento de policiais da UPP do Alemão. Ao ser indagado sobre uma relação de cooperação entre prefeitura e Estado para frear o aumento da criminalidade, Paes disparou: “Não parou nenhum serviço da prefeitura no Alemão. As clínicas estão funcionando. São oito no Alemão e na Penha. As escolas estão funcionando. O Eduardo estudava lá numa delas. Portanto, ele estava sendo atendido pelo poder público. Não é por ausência de escolas, clínicas da família que o Alemão está desse jeito. Nem por falta de pavimento. Olha as imagens que você vai ver. É o paraíso? É o Leblon? Não! Mas os serviços estão sendo prestados. Essa questão da violência, a maior parte é questão de segurança pública”, afirmou.

Paes fez questão de frisar que a prefeitura tem atuado dentro e fora de áreas ocupadas pelas UPPs. “Não é uma Clínica da Família que vai resolver a criminalidade do Rio de Janeiro. Isso é uma obrigação do município e estamos ampliando o serviço nas áreas pacificadas e não pacificadas. O lugar onde mais fizemos foi na região de Santa Cruz, Paciência, Guaratiba e Sepetiba (Zona Oeste). Chegamos a 100% de atenção da saúde da família nesses locais e, infelizmente, a criminalidade não melhorou por causa disso”.

Questionado sobre o atraso nas obras de algumas sedes permanentes de UPPs – um relatório do Ministério Público revelado pelo Fantástico mostrou diversas sedes improvisadas (em contêineres) caindo aos pedaços – Paes foi direto: “Primeiro, minha obrigação é fazer posto de saúde, creche, escola, cuidar do pavimento e que a Comlurb preste seu serviço. E isso tudo a gente faz. O prefeito do Rio está fazendo um favor, pagando uma conta que não é sua. Mas as obras estão andando. Houve problemas que uma empreiteira quebrou (parando a obra no Morro dos Prazeres) e que num terreno (no Morro do São Carlos) escolhido pela Secretaria de Segurança nós não pudemos entrar, porque a Secretaria de Administração Penitenciária também queria o local e o processo todo parou. Mas cavalo dado não se olha os dentes. Não é a Prefeitura que tem a obrigação de ficar construindo sede de UPP. Continuamos dispostos a ajudar, mas se cada um cumprir com sua obrigação fica melhor”, completou o prefeito.

Há duas semanas, o chefe da Casa Civil da prefeitura e braço direito de Paes, Pedro Paulo, já havia causado constrangimento numa reunião da Comissão Executiva de Monitoramento e Avaliação da Política de Pacificação. Ele apresentou dados de investimento indicando que o município já havia gasto 1,8 bilhão de reais no chamado UPP Social, e que outro 1 bilhão de reais está empenhado para ser investido até o final do ano que vem.

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