Paes ganha terreno na Baixada Fluminense após União e PP desfazerem aliança com PL
Região é estratégica para vencer a corrida ao Palácio Guanabara porque concentra colégios eleitorais importantes do estado
A disputa pelo voto da Baixada Fluminense é um dos termômetros na corrida pelo governo do Rio. A região concentra 13 municípios, incluindo cidades que estão entre os maiores colégios eleitorais do estado. Neste momento, o ex-prefeito carioca Eduardo Paes (PSD) desponta como favorito dos prefeitos do bloco. Paes tem conseguido atrair lideranças locais, enquanto o candidato bolsonarista Douglas Ruas (PL), presidente da Assembleia Legislativa, perdeu apoios importantes após o desembarque da federação União Progressista, formada por União Brasil e PP, de sua chapa.
A Baixada Fluminense concentra dois dos quatro maiores colégios eleitorais do estado: Duque de Caxias, com 635 mil eleitores, e Nova Iguaçu, com 615 mil. Outros municípios eleitoralmente relevantes compõem a região, como São João de Meriti, Belford Roxo, Magé, Mesquita, Nilópolis, Queimados e Itaguaí, todos com mais de 100 mil eleitores. Por isso, a disputa pelos prefeitos do cinturão é uma das frentes mais importantes da eleição ao Palácio Guanabara.
O apoio mais simbólico a Eduardo Paes veio do ex-prefeito de Nova Iguaçu Rogério Lisboa (PP) – que havia sido anunciado, em março, como vice de Ruas, mas deixou a composição no mês passado e “pulou o muro” rumo ao palanque adversário. Junto com ele, o atual prefeito da cidade, Dudu Reina (PP), também declarou apoio ao pessedista.
As adesões reforçam uma vantagem que o ex-prefeito carioca já vinha construindo na Baixada. Um dos desafios de Paes, reconhecido pela campanha, é melhorar o desempenho fora da capital. Não por acaso a vice escolhida na chapa foi a advogada Jane Reis (MDB), irmã do ex-prefeito de Duque de Caixas Washington Reis, cacique emedebista e líder do clã que controla a cidade. O atual prefeito Netinho Reis é sobrinho de Jane. Os prefeitos Andrezinho Ceciliano (Paracambi), Glauco Kaizer (Queimados), Haroldinho Jesus (Itaguaí), Jamille Cozzolino (Magé), Léo Vieira (São João de Meriti) e Fernanda Ontiveros (Japeri) completam o bloco de apoio de Paes.
A região era considerada estratégica para o plano original do PL. Ruas esperava se apoiar na estrutura de prefeitos eleitos por PL, União Brasil e PP para ganhar musculatura no estado. O deputado foi secretário das Cidades na gestão do ex-governador Cláudio Castro (PL) e também esperava que a relação construída com as prefeituras rendesse frutos para a candidatura. A saída da União Progressista da aliança com o PL, porém, obrigou o partido a montar uma chapa “puro-sangue”, com a vereadora de Niterói Fernanda Louback como vice e o senador Carlos Portinho e o deputado Carlos Jordy como candidatos ao Senado. O desembarque da federação também reduziu a expectativa de tempo de televisão, ponto considerado estratégico para apresentar Ruas, deputado de primeiro mandato, ao eleitorado fluminense. Paes, por sua vez, colheu o efeito contrário. A neutralidade formal da União Progressista não impediu que quadros do Centrão se aproximassem do seu palanque. Ruas ainda preserva bases relevantes na região metropolitana, especialmente São Gonçalo, cidade administrada por seu pai, Capitão Nelson (PL), e segundo maior colégio eleitoral do Rio.







