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Padilha volta a negar ligação com doleiro

Pré-candidato ao governo de São Paulo afirma que não indicou executivo para laboratório de fachada

Por Da Redação 25 abr 2014, 19h20

Pré-candidato ao governo de São Paulo, o ex-ministro da Saúde Alexandre Padilha voltou a negar nesta sexta-feira qualquer relacionamento com o doleiro Alberto Youssef, preso na Operação Lava-Jato, da Polícia Federal. Após ter cancelado parte das visitas que faria como pré-candidato em cidades paulistas, Padilha atribuiu as suspeitas a adversários que querem “inibir debates sobre os problemas de São Paulo”.

Conforme revelou VEJA, a Polícia Federal interceptou conversas telefônicas em que o deputado petista André Vargas (PT-SP) conversa com Youssef sobre a contratação de um executivo para a Labogen, o laboratório-fantasma do doleiro. Segundo relatório produzido pelos policiais, Vargas avisa que o escolhido – Marcus Cezar Ferreira da Silva – encontraria Youssef dias depois e ressalta que “foi Padilha que indicou”. “O executivo indicado por Alexandre Padilha”, como os investigadores se referem a Marcus no relatório, trabalhou como assessor parlamentar de um fundo de pensão controlado pelo PT.

“Mente quem diz que indiquei alguém para qualquer laboratório, mente quem quer estabelecer qualquer envolvimento meu com o doleiro. Toda vez que aponto um problema para São Paulo e quero dar soluções recebo de volta ataques, raiva e grosseria”, disse Padilha nesta sexta-feira. “Eu repudio qualquer envolvimento do meu nome em mensagens trocadas por terceiro”, completou.

De acordo com o ex-ministro, que pretende processar quem vincular seu nome ao do doleiro Youssef, “se alguém pensou que poderia ultrapassar qualquer rito regular no Ministério da Saúde bateu na porta errada”. Em entrevista após terem sido reveladas as conversas entre Vargas e Youssef, Padilha informou ainda que não existem contratos do Labogen com o Ministério da Saúde da época em que comandou a pasta.

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Vaccarezza – As mensagens interceptadas pelos policiais mostram também que Youssef participou, junto com Vargas, de uma reunião no apartamento do deputado federal Cândido Vaccarezza (PT-SP), em Brasília, para tratar de interesses do doleiro. Também esteve no encontro o empresário Pedro Paulo Leoni Ramos, ex-ministro do governo Collor que já havia aparecido na investigação como sócio oculto de Youssef no laboratório Labogen.

Na troca de mensagens, datada de 25 de setembro do ano passado, Youssef avisa Vargas que acabou de chegar a Brasília e que precisa falar com ele. Diz que viajou junto com PP, como é conhecido Pedro Paulo Leoni Ramos. “Achei que você estivesse aqui na casa do Vacareza (sic)”, escreve o doleiro. “Tô indo”, responde Vargas. Diz a Polícia Federal no relatório: “Os indícios apontam que o alvo Alberto Youssef mantinha relações com o deputado federal Candido Vaccarezza, inclusive indicando que houve uma reunião na casa do deputado federal Vaccarezza, reunião esta entre Alberto Youssef, deputado federal André Vargas e Pedro Paulo Bergamaschi de Leoni Ramos”.

O telefone do deputado Vaccarezza aparece destacado entre os contatos da agenda de um dos aparelhos usados pelo doleiro. No mesmo dia do encontro no apartamento de Vaccarezza, Youssef volta a falar com Vargas. E diz que o deputado deve “cobrar e ficar em cima”. “Senão não sai”, diz ele. Cinco minutos depois, Vargas escreve: “(Em) 30 dias estará resolvido”. Para a polícia, eles estavam articulando o contrato da Labogen com o Ministério da Saúde, assinado três meses depois.

Vicente Cândido – Nas interceptações da PF, o deputado federal Vicente Cândido (PT-SP) também é citado no esquema que envolve o doleiro. Em nota divulgada à imprensa nesta sexta, o parlamentar afirma que não há nenhum fato que o desabone e que o nome dele foi usado “indevidamente por terceiros”. “A mim, em momento algum, foi imputada conduta questionável sob qualquer aspecto, e por isto, é bom que se frise, não sou, e nem deveria ser, objeto de nenhuma apuração”, continuou. À reportagem de VEJA publicada no início do mês, Cândido afirmou que conhecia Youssef “de vista” e que o conheceu em uma viagem a Cuba “há quatro ou seis anos”.

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