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‘Ou o ministro se mobiliza agora, ou o Supremo vai desabar’: a guerra de decisões que deixa o STF ‘sem saída’

Colunista de Radar diz que choque entre decisões de André Mendonça e Flávio Dino criou uma situação inédita

Por Redação VEJA Materia seguir SEGUIR Materia seguir SEGUINDO 9 set 2026, 13h03 | Atualizado em 9 set 2026, 13h03
‘Ou o ministro se mobiliza agora, ou o Supremo vai desabar’: a guerra de decisões que deixa o STF ‘sem saída’ Priorize VEJA no Google

O Supremo Tribunal Federal entrou em uma crise sem precedentes após decisões conflitantes de André Mendonça e Flávio Dino sobre o comando da Polícia Federal, na avaliação do colunista de Radar Robson Bonin. No Ponto de Vista, apresentado por Laísa Dall’Agnol, Bonin afirmou que o choque entre os ministros criou uma situação de tamanha incerteza que nem dentro da Corte havia clareza sobre qual decisão deveria prevalecer. “O STF está num beco sem saída, completamente perdido nessa crise”, afirmou (este texto é um resumo do vídeo acima).

A nova escalada ocorreu depois de Dino tomar uma decisão que interferia em um julgamento em andamento na Segunda Turma, colegiado do qual não faz parte, segundo Bonin. O caso já havia chegado ao presidente do STF, Edson Fachin, que dera prazo para Mendonça se manifestar sobre um recurso contra sua decisão. Para o colunista, o movimento de Dino obrigou Fachin a reagir diante de uma situação inédita: “A gente nunca viu dois ministros iguais no Supremo, com poderes iguais, com a mesma caneta, a mesma cadeira, a mesma toga, duelar em dois despachos distintos sobre um mesmo caso”.

Por que Fachin cancelou a sessão do Supremo?

Bonin atribuiu diretamente o cancelamento da sessão à dimensão alcançada pela crise. Segundo ele, Fachin não tinha condições de apresentar imediatamente uma resposta para um conflito daquela magnitude e encontrou no cancelamento uma maneira de impedir que a disputa explodisse durante a sessão. “Seria uma batalha campal”, afirmou.

O colunista relatou ainda ter ouvido de um ministro do Supremo uma avaliação sobre a gravidade do momento: “Ou o ministro Edson Fachin se mobiliza agora, ou o Supremo vai desabar”.

Segundo Bonin, Mendonça acionou Fachin e sustentou que Dino não poderia ter tomado a decisão que tomou. A cobrança seria para que o presidente da Corte desautorizasse o colega, diante da inexistência, na avaliação apresentada pelo colunista, de precedente para dois ministros produzirem determinações contraditórias sobre o mesmo caso.

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Afinal, quem manda no caso do diretor da PF?

A consequência imediata da guerra de decisões, segundo Bonin, foi uma incerteza básica sobre a situação do comando da Polícia Federal. “Até agora ninguém no país, nem no próprio Supremo, consegue dizer qual é a situação do diretor da Polícia Federal. Ele está no cargo? Ele está afastado?”, questionou.

Para o colunista, a indefinição expõe a dimensão institucional do problema. Bonin descreveu uma “salada de atropelos jurídicos” e afirmou que ministros estavam perplexos diante do que ocorria na Corte.

A expectativa, segundo ele, era de que uma solução continuasse a ser discutida nos bastidores. No centro da pressão estava Fachin, cobrado a estabelecer qual decisão deveria prevalecer e a impedir que o confronto entre integrantes do próprio tribunal aprofundasse ainda mais a crise.

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A guerra interna tirou Moraes do foco?

Bonin chamou atenção para outro efeito da batalha entre Mendonça e Dino: o deslocamento do foco das revelações que deram origem à crise. Segundo o colunista, o Supremo já estava dividido desde a divulgação do relatório da Polícia Federal que trouxe mensagens entre Alexandre de Moraes e o banqueiro Daniel Vorcaro. “Essa confusão que foi criada pela decisão do ministro Dino e pela decisão do ministro André Mendonça ajuda a tirar do foco o que é a questão essencial”, afirmou.

A crise pode empurrar as respostas para depois da eleição?

Bonin vê justamente nesse adiamento um dos principais efeitos políticos da disputa. Segundo ele, há dentro do Supremo uma ala interessada em retardar a discussão sobre as suspeitas envolvendo Vorcaro e levá-la para depois das eleições.

Do outro lado, na avaliação do colunista, está a ala a qual pertence Mendonça, que cobraria uma atuação mais rápida para oferecer respostas à sociedade. O confronto entre essas posições ajuda a explicar por que a disputa deixou de ocorrer apenas nos bastidores. A sucessão de decisões contraditórias, a cobrança sobre Fachin e o cancelamento da sessão transformaram a divisão em uma crise pública. Para Bonin, o Supremo agora enfrenta dois problemas ao mesmo tempo: encontrar uma saída para sua própria “batalha campal” e voltar às questões que desencadearam a crise antes que elas sejam empurradas para depois da eleição.

VEJA+IA: Este texto resume um trecho do programa audiovisual Ponto de Vista (confira o vídeo acima). Conteúdo produzido com auxílio de inteligência artificial e supervisão humana.

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