Novas Revelações: Acesse com exclusividade novas revelações de Vorcaro. Assine Agora!

Os movimentos da ala política do STF que podem tumultuar a sessão que definirá destino de Moraes

Pedidos de Moraes e Zanin e a Operação Spoofing como espelho levam sessão da próxima semana a desfecho imprevisível

Por Laryssa Borges Materia seguir SEGUIR Materia seguir SEGUINDO 11 set 2026, 15h46
Os movimentos da ala política do STF que podem tumultuar a sessão que definirá destino de Moraes Priorize VEJA no Google

Desde as primeiras revelações sobre o contrato milionário da advogada Viviane Barci de Moraes com o banqueiro Daniel Vorcaro, expoentes da dita ala política do Supremo Tribunal Federal (STF) sempre apostaram em uma articulação de bastidor capaz de não dragar a mais alta corte do país para a crise por que passa hoje. Foram reuniões fora da agenda com representantes do Executivo, jantares na casa do presidente do Senado Davi Alcolumbre (União Brasil-AP) para tratar essencialmente de André Mendonça e sessões de ataques privados ao relator do caso Master, ao advogado-geral da União Jorge Messias e ao ministro da Justiça Wellington Lima e Silva, tidos como partidários ou apáticos diante de um desgaste monumental para a imagem do Judiciário.

Ao final, a corrosão pública nem de perto arrefeceu, e foi agendada uma sessão plenária para a próxima terça-feira, 15, na qual será discutida a validade de um relatório policial que apontou relações promíscuas entre o banqueiro Daniel Vorcaro e o ministro Alexandre de Moraes. Movimentos feitos por ministros desta ala nesta sexta-feira, 11, porém, indicam que a ofensiva tem o potencial de escalar para níveis inimagináveis. Primeiro, o ministro Moraes pediu que seja apreciado em conjunto na próxima semana uma solicitação feita por ele para investigar Mendonça por uma suposta apuração clandestina. Como se sabe, Moraes alega que o relator do caso Master no STF determinou que fossem levantadas informações sobre ele, sem aval prévio do tribunal, o que o mais poderoso integrante do Supremo classifica como abuso de autoridade, improbidade administrativa e crime de responsabilidade, este último senha para a abertura de um processo de impeachment no Senado.

Depois, o ministro Cristiano Zanin encaminhou ao presidente da Corte, Edson Fachin, pedido para que os magistrados acessassem, entre outras coisas, o acervo original do celular de Vorcaro que permitiu aos investigadores detectarem mais de 50 mensagens encaminhadas a Moraes pelo ex-dono do Master. No conjunto de diálogos estão pedidos para interferir na Polícia Federal e no Ministério Público para blindar o banco de investigações, acertos para encontros privados e até uma consulta sobre a conveniência de o executivo encrencado deixar o país às vésperas de sua prisão.

Na avaliação do criminalista Aury Lopes Jr, convidado pro programa Os Três Poderes desta sexta, 11, os pedidos têm potencial para que a sessão destinada a verificar a legalidade do relatório policial que alveja Moraes se transforme em um emaranhado de discussões outras que impeçam que o Plenário discuta o futuro do ministro. Para Lopes, o cenário indica para um pedido de vista, tema que, conforme mostrou VEJA, bate de frente com a estratégia de Mendonça ou para que simplesmente as discussões se arrastem para o futuro.

Continua após a publicidade

A Operação Spoofing como espelho

Entre os movimentos de ministros da ala política nesta sexta não passou despercebido o fato de que Cristiano Zanin pediu a íntegra dos arquivos no aparelho celular de Vorcaro. A estratégia emula a conhecida Operação Spoofing, em que o magistrado, ainda na condição de advogado de Lula na Lava-Jato, conseguiu expor mensagens que mostravam que o então juiz Sergio Moro e a antiga força-tarefa de Curitiba combinavam decisões e estratégias processuais para alvejar o presidente. Ao final, a Lava-Jato caiu em descrédito, e as condenações contra o petista foram anuladas.

Não por outra razão, na primeira manifestação pública que fez desde o agendamento da sessão plenária contra Moraes Lula disse, ao defender a “quebra completa do sigilo” do caso Master, que “a divulgação da verdade, como aconteceu na Operação Spoofing, conduzida pelo então ministro Lewandowski, é um exemplo a ser seguido”.

Continua após a publicidade

Em março de 2021 a Lava-Jato, que tempos antes era tida como o maior exemplo de combate à corrupção da história, corria sério risco de virar pó. Pairavam sobre o então juiz Sergio Moro suspeitas de parcialidade e crescia a avaliação de que parte importante dos processos, inclusive os que haviam condenado o presidente a 26 anos de prisão, deveriam deixar Curitiba. Relator da operação no STF, o hoje presidente do STf Edson Fachin se imbuiu de construir uma saída jurídica em busca de um mal menor. Para proteger Moro e evitar que provas fossem atiradas no lixo, o ministro anulou todos os processos contra Lula e colocou o petista de volta ao jogo político. Ao final, não conseguiu nem um objetivo nem outro. Na esteira da Operação Spoofing, o ex-juiz foi declarado parcial e a implosão da Lava-Jato livrou a pele de dezenas de políticos encrencados com a Justiça.

Cinco anos e meio depois, Fachin está de volta em uma encruzilhada de proporções ainda maiores. Caberá a ele conduzir as rédeas da sessão que é tida como o primeiro passo para o STF tentar sair da crise de imagem e credibilidade que amarga hoje.

Publicidade

Matéria exclusiva para assinantes. Faça seu login

Este usuário não possui direito de acesso neste conteúdo. Para mudar de conta, faça seu login

Capa da revista Veja, um celular e um notebook exibindo o site da revista, sobre fundo preto com texto BLACKFRIDAY repetidoBanner de Black Friday com fundo roxo e preto, exibindo a palavra BLACKFRIDAY repetida. À direita, um laptop prateado com uma imagem de carro na tela, um smartphone com um site de notícias e uma revista Veja aberta com uma foto de comida.
ECONOMIZE ATÉ 60% OFF

Digital Premium

A notícia em tempo real na palma da sua mão!
Chega de esperar! Informação quente, direto da fonte, onde você estiver, + programa de benefícios Prata.
De: R$ 16,90/mês Apenas R$ 9,90/mês
ESQUENTA BLACK FRIDAY

Revista em Casa + Digital Premium

Receba 4 revistas de Veja no mês, além de todos os benefícios do plano Digital Premium (cada revista sai por menos de R$ 10,00)
De: R$ 59,99/mês
A partir de R$ 32,90/mês

*Acesso ilimitado ao site e edições digitais de todos os títulos Abril, ao acervo completo de Veja e Quatro Rodas e todas as edições dos últimos 7 anos de Claudia, Superinteressante, VC S/A, Você RH e Veja Saúde, incluindo edições especiais e históricas no app.
*Pagamento único anual de R$23,88, equivalente a R$1,99/mês. Após esse período a renovação será de 118,80/ano (proporcional a R$ 9,90/mês).