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Os momentos quentes dos principais debates aos governos estaduais

Primeiro enfrentamento de ideias e opiniões entre candidatos a governador de 12 estados ocorreu neste domingo, 9

Por Pedro Jordão Materia seguir SEGUIR Materia seguir SEGUINDO 10 ago 2026, 10h10 | Atualizado em 10 ago 2026, 10h55
Os momentos quentes dos principais debates aos governos estaduais Priorizar nos meus resultados Google

O primeiro debate entre candidatos a governador de 12 estados ocorreu na noite deste domingo, 9, contando com a participação de alguns dos principais nomes da política nacional. Em três dos principais estados da rodada, São Paulo — maior colégio eleitoral do país –, Bahia e Ceará — o maior e o terceiro maior do Nordeste — houve momentos quentes, com duras críticas e trocas de farpas.

Em São Paulo, houve troca de ofensas entre o governador Tarcísio de Freitas (Republicanos) e o seu adversário, o ex-ministro da Fazenda Fernando Haddad (PT), com uma série de acusações, de ambos os lados, de que o outro estava faltando com a verdade ou deturpando dados.

Em determinado momento, Haddad chegou a dizer que Tarcísio deveria responder na Justiça por improbidade administrativa e que ele não era grato ao governo federal e outras instituições, como o Ministério Público, por ajudarem sua gestão a entregar obras e ações importantes para o estado.

Durante grande parte do debate, Haddad tentou nacionalizar a situação, falando sempre do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e do ex-presidente Jair Bolsonaro. “Vocês negam mudança climática, negam vacina. Teu grupo político está fazendo propaganda antivacina agora na internet. Se continuar essa loucura dos seus correligionários e apoiadores, vamos ter volta de outras doenças erradicadas”, disse.

Em resposta, o governador paulista afirmou que o ex-ministro estava “muito focado” em Jair Bolsonaro e deveria esquecê-lo, pois “não está concorrendo com ele mais”, falando das eleições de 2018.

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O governador também falou sobre a prisão de Alessandra Moja — que seria irmã de um criminoso do PCC –, lembrando que ela esteve com Lula e Haddad em um evento na favela do Moinho em 2025, numa tentativa de associar os petistas ao crime organizado. Irritado, o ex-ministro jogou a acusação de envolvimento com o crime de volta. “Você acha que eu conheço o tráfico como você conhece? Se você sabia que ela era traficante, por que você não foi lá prender? Eu não sabia. Se eu soubesse, teria dado voz de prisão para ela. Eu não tenho esse tipo de proximidade com nada do que você está falando. Então você respeita, baixa essa bola”, atacou.

Já na Bahia, o governador Jerônimo Rodrigues (PT) afirmou que seu adversário ACM Neto (União), ex-prefeito de Salvador, o trata mal porque ele é de origem indígena e negro. A equipe do cacique de direita convocou o direito de resposta, mas não teve a solicitação aprovada pela banca do debate, que considerou não haver nenhum desrespeito às regras no caso.

“Você, há um tempo atrás, disse que iria me humilhar. Sua forma de governar é essa, irmão. Tem gente que não tem jeito, porque o seu coração diz isso. Seu coração quer isso, humilhar as pessoas, tratar as pessoas como se nós fôssemos iguais. Você me trata assim porque a minha origem é indígena, porque eu sou negro, filho de vaqueiro. Como os patrões tratam os trabalhadores e empregados. Eu não desejo ver a Bahia governada dessa forma, da forma do passado, com chicote na mão”, declarou o petista.

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Jerônimo também aproveitou para ressaltar que ACM Neto é contrário ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), maior cabo eleitoral do estado, tendo conquistado 70% dos votos na última eleição — numa tentativa de nacionalizar o debate.

“Você prometeu uma surra no Lula. Você é anti-Lula, você não gosta do Lula (…). Eu vim aqui hoje debater propostas, [mas] você é desrespeitoso com as pessoas. Eu não vou lhe tratar nunca como mentiroso. O senhor foi prefeito da minha cidade Salvador, o senhor foi deputado, não cabe bem a nós chamar alguém do debate de mentiroso, [mas] teu estilo de tratar as pessoas é sempre assim”, afirmou.

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Já no Ceará, o governador Elmano de Freitas (PT) empurrou sobre seu principal adversário, o ex-governador e ex-ministro Ciro Gomes (PSDB), a pecha da qual ele mais tem tentado evitar na campanha, a de que é apoiador de Flávio Bolsonaro em um estado majoritariamente lulista.

“Eu tenho muito orgulho da minha vice, e o partido dela no Ceará vota em Lula. Nós somos do time que vota em Lula. E você é o que está caladinho com a denúncia do Banco Master e do Flávio Bolsonaro. É você que tem [como candidato] ao Senado o capitão do motim. É você que tem [candidato a] senador bolsonarista que rezou para Lula morrer. Tenha coragem de assumir suas posições políticas. Eu assumo as minhas. Eu ando com Ciro (sic), com Luizianne e com Lula”, declarou Elmano. No final, ele provavelmente tentou fazer referência ao irmão de Ciro Gomes, o senador Cid Gomes (PSB), que está em sua chapa.

O tucano tentou se defender afirmando que, na última eleição presidencial, em 2022, esteve em palanque diferente e representando uma terceira via. “O último debate que eu participei foi comigo, Lula e Bolsonaro. Nós discutimos, claramente, que eu represento outra coisa [além da polarização]. O resto é para fazer intriga. Ele tem uma vice que é do PSD, que é o partido do [ex-governador de Goiás] Ronaldo Caiado, que vota no Bolsonaro a vida toda e que vota contra o Lula a vida toda”, disse Ciro Gomes.

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No Paraná, o candidato que lidera as intenções de votos com folga, o senador Sergio Moro (PL), não compareceu, alegando que seus adversários, o governista Sandro Alex (PSD) e o deputado Requião Filho (PDT), teriam combinado de atacá-lo em conjunto.

Sem sua presença, Sandro e Requião protagonizaram os embates. O candidato governista iniciou sua apresentação colocando-se como o nome da continuidade do atual governo de Ratinho Jr. (PSD), defendendo as conquistas estaduais dos últimos anos. Apesar de a população paranaense aprovar a atual gestão e dizer que ela merece fazer um sucessor, o candidato é desconhecido e costuma ficar, no máximo, em terceiro lugar nas pesquisas, sempre atrás de Moro e Requião.

Em um momento escorregadio, Sandro Alex chegou a chamar Requião Filho de governador, ao que o deputado agradeceu.

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Por sua vez, Requião Filho criticou o governo de Ratinho Jr. e a ideia de continuidade, mesmo sabendo dos dados de aprovação do governo. Ele falou, por exemplo, que ter crescimento na média do Brasil é pouco para o estado, que deveria estar acima. Ele criticou o alto custo de vida do estado, impostos e pedágios.

Situação semelhante ocorreu no Rio de Janeiro, onde o favorito ao pleito, o ex-prefeito da capital Eduardo Paes (PSD) também desistiu de participar de última hora — alegando seguir uma orientação jurídica de só participar de debates e sabatinas após 16 de agosto, quando o período eleitoral de fato terá início. Sendo assim, o debate foi tocado por Anthony Garotinho (Republicanos), André Marinho (Novo), Douglas Ruas (PL) e William Siri (PSOL).

Por lá, a falta do ex-prefeito levou os seus adversários a atacá-lo livremente. No entanto, houve também ataques mútuos, trocas de acusações e a questão da segurança pública em foco. Já na sua primeira pergunta, o candidato do PSOL perguntou se Douglas Ruas iria negociar com o crime organizado caso fosse governador, lembrando da prisão de Rodrigo Bacellar.

No Rio Grande do Sul, o vice-governador Gabriel Souza (MDB) criticou a ex-deputada Juliana Brizola (PDT) pelo apoio que ela recebe do PT nessas eleições — seu vice é o ex-deputado Edegar Pretto (PT) e ela dá palanque a Lula no estado.

Juliana integrou, durante a maior parte dos últimos anos, o governo de Eduardo Leite (PSD) e, por isso, respondeu à crítica levantando a importância de ter apoios plurais na política. Fez isso com alfinetadas pessoais a Gabriel e separando o governo Leite do trabalho que o vice vem encabeçando. “Vamos parar com o ‘nós contra eles’. Vamos sentar todo mundo numa mesa, mesmo quem pensa diferente. Eu proponho um grande pacto entre o capital e o trabalho, porque essa é a minha vertente, eu sou trabalhista. E o trabalhismo, Gabriel, não sei se tu já teve a oportunidade de ler algum livro, é a única política genuinamente gaúcha, nascida aqui, Getúlio Vargas, João Goulart, Leonel Brizola”, disse a candidata.

Já na questão da segurança pública, o deputado Luciano Zuco (PL) apontou o avanço de facções no interior do estado, também em crítica à atual gestão. Ele e Brizola lideram as intenções de voto no Rio Grande do Sul.

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