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Oposição quer ouvir Padilha e diretor de laboratório fantasma

Para Polícia Federal, Alexandre Padilha indicou diretor de laboratório fantasma. Ex-ministro da Saúde é citado nas mensagens trocadas entre o doleiro preso e o petista André Vargas

Por Gabriel Castro e Marcela Mattos, de Brasília 25 abr 2014, 12h08

A oposição vai pedir que o ex-ministro da Saúde, Alexandre Padilha, compareça à Câmara dos Deputados para falar sobre sua ligação com o laboratório Labogen, de propriedade do doleiro Alberto Youssef, preso pela Polícia Federal. Líderes do DEM e do PPS vão apresentar o requerimento na próxima semana. A intenção é que o petista fale aos colegiados da Comissão de Fiscalização e Controle e de Seguridade Social. Ao mesmo tempo, o PSDB deve pedir que o Ministério Público Federal investigue o caso, além de cobrar esclarecimentos do Ministério da Saúde.

Além de Padilha, o DEM vai convidar Marcus Cezar Ferreira de Moura, diretor do Labogen – laboratório fantasma usado, de acordo com as investigações, como um instrumento de lavagem de dinheiro e evasão de divisas. Para a Polícia Federal, Marcus Cezar foi indicado por Padilha, com quem havia trabalhado na coordenação de eventos do Ministério da Saúde. “Nada mais justo do que o ex-ministro Padilha ter o espaço público da Câmara para se explicar. Aliás, essa não é primeira suspeita de irregularidade envolvendo a sua gestão”, diz o deputado Rubens Bueno (PR), líder do PPS. Como já não ocupa cargo público, o ministro não pode ser convocado, apenas convidado a comparecer.

“É um fato gravíssimo que envolve a prática de crimes contra o erário numa área extremamente sensível para a população, que é a saúde pública”, afirma o líder do PSDB na Câmara, Antônio Imbassahy (BA). “O governo perdeu o controle e está dominado pelo aparelhamento da máquina e por relações de patrocínio de operações irregulares e corruptas. A presidente Dilma Rousseff sempre declarou que não iria tolerar o malfeito. Mas parece que o malfeito está tomando conta do governo dela”, continuou o líder do DEM, deputado Mendonça Filho (PE).

Apesar de nunca ter fabricado qualquer tipo de medicamento, o Labogen obteve um contrato de 31 milhões de reais com o Ministério da Saúde para produzir o princípio ativo do Viagra, medicamento usado para combater a impotência sexual.

Reinaldo Azevedo: Conversa de Vargas com Youssef sugerem Padilha no comando

De acordo com a Polícia Federal, o deputado André Vargas (PT-PR) foi um dos intermediários na negociação para que o contrato fosse firmado. E foi através de mensagens trocadas entre Vargas e o doleiro que a Polícia Federal acredita ter descoberto que o nome de Marcus fora uma indicação do ministro. Youssef foi preso na Operação Lava-Jato, que desmontou uma quadrilha especializada em lavagem de dinheiro e evasão de divisas.

Indícios – Em 26 de novembro de 2013, em mensagem a Youssef, André Vargas diz que falou com “Pad”, que a PF acredita ser Padilha. “Falei com Pad agora e ele vai marcar uma agenda comigo”, escreveu o deputado ao doleiro. As referências a Padilha aparecem novamente em mensagens trocadas dois dias depois pela dupla. André Vargas conversava com o doleiro sobre a contratação de um executivo para a Labogen, o laboratório-fantasma do doleiro, que servia à lavagem de dinheiro. O deputado avisa que o executivo escolhido encontraria Youssef dias depois. E avisa que quem indicou o executivo para a Labogen foi Padilha. Ele passa o número do tal executivo, um celular registrado em Brasília, e na sequência arremata: “Foi Padilha que indicou”. Pelo número de telefone, os investigadores identificaram o “indicado” como Marcus Cezar Ferreira de Moura. “O executivo indicado por Alexandre Padilha”, como os investigadores se referem a Marcus no relatório, trabalhou como assessor parlamentar de um fundo de pensão controlado pelo PT.

Em nota, Padilha negou ter indicado alguém para a Labogen. “Se, como diz a Policia Federal, os envolvidos tinham preocupação com as autoridades fiscalizadoras, eles só poderiam se referir aos filtros e mecanismos de controle criados por Padilha dentro do Ministério da Saúde justamente para evitar ações deste tipo”, diz o comunicado enviado por e-mail por sua assessoria de imprensa.

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