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Oposição exige postura mais firme de Dilma contra PR

Edição de VEJA desta semana revela esquema de pagamento de propina a representantes do partido, que comanda o Ministério dos Transportes

Por Luciana Marques - 2 jul 2011, 16h07

Senadores democratas e tucanos exigiram nesta segunda-feira uma postura mais firme da presidente Dilma Rousseff diante de denúncias de corrupção envolvendo o Ministério dos Transportes, comandado pelo PR. Reportagem de VEJA desta semana revela um esquema de pagamento de propina para caciques do PR, Partido da República, em troca de contratos de obras.

No último dia 24, a presidente Dilma Rousseff se reuniu com integrantes da cúpula do Ministério dos Transportes no Palácio do Planalto. Ao lado das ministras Gleisi Hoffmann (Casa Civil) e Miriam Belchior (Planejamento), ela reclamou dos aumentos sucessivos dos custos das obras em rodovias e ferrovias, criticou o descontrole nos aditivos realizados em contratos firmados com empreiteiras e mandou suspender o início de novos projetos. Dilma disse que o Ministério dos Transportes está sem controle, que as obras estão com os preços “inflados” e anunciou uma intervenção na pasta comandada pelo PR – que cobra 4% de propina das empresas prestadoras de serviços.

A presidente, no entanto, mantém no cargo o ministro dos Transportes, Alfredo Nascimento, o que foi criticado por oposicionistas. “O que espanta é ver a inação da presidente. Não basta constatar sobrepreço e corrupção. É preciso instalar providências, é hora de mudar o rumo do governo, que há oito anos vem blindando políticos. O Brasil não suporta mais escândalos”, disse o líder do PSDB no Senado, Alvaro Dias (PR).

O líder do DEM no Senado, José Agripino Maia (RN), emendou: “O grande problema do governo é que trata com desdém denúncias de corrupção, o que está minando a cada dia sua credibilidade. Só a punição exemplar mata a corrupção, mas Dilma insiste na prática de conviver com a impunidade”.

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Reunião – Com planilhas e documentos sobre a mesa, Dilma elevou o tom no encontro com representantes da pasta: “O Ministério dos Transportes está descontrolado”. A presidente chamou de “abusiva”, por exemplo, a elevação do orçamento de obras em ferrovias, que passou de 11,9 bilhões de reais, em março de 2010, para 16,4 bilhões neste mês – salto de 38% em pouco mais de um ano. Dilma também se irritou em especial com a Valec, estatal que cuida da malha ferroviária, e com o Departamento Nacional de Infraestrutura de Transportes (DNIT), responsável pelas rodovias.

O secretário-executivo do ministério, Paulo Sérgio Passos, o diretor-geral do DNIT, Luiz Antonio Pagot, e o diretor de Engenharia da Valec, Luiz Carlos Machado de Oliveira também estavam na reunião em que Dilma mais falou do que ouviu.

“Vocês ficam insuflando o valor das obras. Não há orçamento fiscal que resista aos aumentos propostos pelo Ministério dos Transportes. Eu teria de dobrar a carga tributária do país para dar conta”, disse Dilma, quando a reunião caminhava para o fim. Ela deu o diagnóstico: “Vocês precisam de babá. E terão três a partir de agora: a Míriam, a Gleisi e eu”.

Nas últimas semanas, VEJA conversou com parlamentares, assessores presidenciais, policiais e empresários, consultores e empreiteiros. Ouviu deles a confirmação de que o PR cobra propina de seus fornecedores em troca de sucesso em licitações, dá garantia de superfaturamento de preços e fecha os olhos aos aditivos, alvo da ira da presidente na reunião do dia 24.

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O esquema seria encabeçado pelo deputado Valdemar Costa Neto, que em 2005 foi obrigado a renunciar a uma cadeira na Câmara abatido pelo escândalo do mensalão. E também pelo ministro dos Transportes, Alfredo Nascimento, que aliás faltou ao encontro com Dilma alegando “compromissos pessoais”.

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