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Oposição coleta assinaturas para CPMI da Corrupção

"Só convocar ministros é dar palanque ao falatório deles", diz ACM Neto

Em reunião na manhã desta quinta-feira no Congresso Nacional, os partidos de oposição decidiram coletar assinaturas para a criação de uma Comissão Parlamentar Mista de Inquérito (CPMI) para apurar, juntos, os escândalos do governo de Dilma Rousseff. O requerimento, que deve ser apresentado à mesa diretora da Câmara e do Senado, já está pronto e foi organizado pelos líderes do DEM, PSDB, PSOL e PPS. De acordo com o documento, a intenção é investigar irregularidades identificadas nos Ministérios dos Transportes, Cidades, Agricultura, Reforma Agrária, Trabalho e Turismo, além de órgãos federais, como Dnit, Valec, Incra, Conab e ANP.

Para viabilizar a comissão, é preciso coletar 171 assinaturas na Câmara e 27 no Senado, tarefa difícil para quem não conseguiu quantidade suficiente de apoios sequer para criar a CPI dos Transportes no Senado, que exigia subscrição mínima de 27 senadores. No entanto, os oposicionistas se dizem confiantes. “Muitos da base governista estão incomodados porque não querem ser responsabilizados pelos erros do governo”, destaca o líder do DEM na Câmara, ACM Neto (BA). “Parlamentares éticos do PMDB e até alguns ligados ao PT demonstraram intenção de nos apoiar”, completa o líder do partido no Senado, Demóstenes Torres.

De acordo com o grupo, a CPMI será apartidária, com 17 senadores e 17 deputados, que terão 180 dias de trabalho, prorrogáveis por mais 90. “Queremos oferecer à população uma fotografia do Congresso. É uma proposta de todas as pessoas que querem combater a corrupção no país”, diz o líder do PSDB no Senado, Alvaro Dias. Segundo ele, será criado um site para divulgar o nome de todos os parlamentares que assinarem o requerimento de abertura da comissão. Com isso a oposição quer evitar que o constrangimento ocorrido na coleta de assinaturas para a CPI dos Transportes se repita. Quando o requerimento já tinha o número necessário de apoios e estava prestes a ser apresentado, dois senadores voltaram atrás e enterraram a CPI.

Os oposicionistas, no entanto, não pretendem abrir mão das CPIs dos Transportes e do Senado. Segundo Demóstenes, a primeira está a duas assinaturas de ser criada e a segunda, a cinco. “O Executivo está vivendo um momento de desalinho total e essa sucessão de escândalos merece um tratamento digno do Congresso”, ressalta. Por outra via, a tentativa de convidar os ministros do governo Dilma e o procurador-Geral da República, Jorge Hage, para depor na Câmara e no Senado continua. “Mas só isso não adianta, pois ouvir ministros é dar palanque e plateia ao falatório deles”, pondera ACM Neto.