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Operação prende 16 PMs envolvidos com tráfico no Rio

Policiais são acusados de comandar o sequestro de traficantes de uma facção criminosa; dezesseis agentes foram presos durante a operação

Por Da Redação 9 out 2014, 13h30

A Operação Ave de Rapina da Secretaria de Segurança (Seseg) do Ministério Público (MP) do Rio de Janeiro cumpriu mandados de prisão contra dezesseis policiais militares na manhã desta quinta-feira. Entre eles estão o comandante Dayzer Carpas Maciel, do 17º Batalhão de Polícia Militar na Ilha do Governador, na Zona Norte, e do tenente Vitor Mendes da Encarnação, chefe da Segunda Seção do batalhão. Os dois agentes são acusados de comandar o sequestro de dois traficantes da facção Terceiro Comando Puro (TCP). A constatação do envolvimento de policiais militares lotados no 17º BPM com o tráfico de drogas na Ilha do Governador foi possível a partir das investigações da Subsecretaria de Inteligência (SSINTE) da Seseg.

Além dos dezesseis policiais presos, agentes da Seseg cumpriram 32 mandados de busca e apreensão. De acordo com as investigações da secretaria, os policiais exigiram 300.000 reais para o resgate dos chefes do tráfico do Morro do Dendê, na Ilha, e de Senador Camará, na Zona Oeste. Os PMs teriam forte laço com Fernando Gomes de Freitas, conhecido como Fernandinho Guarabu, chefe do TCP. Segundo as investigações, os crimes – extorsão mediante sequestro e roubo – aconteceram no dia 16 de março e foram flagrados por câmeras de segurança.

Os policiais do 17º Batalhão foram informados que traficantes armados sairiam da Ilha, pela Estrada do Galeão, próximo ao Aeroporto Internacional Tom Jobim, em um Ford Ecosport vermelho. Na altura da cabine da PM da Base Aérea do Galeão, o carro foi interceptado e cinco traficantes foram abordados: André Cosmo Correa Vaz, Rodrigo da Silva Alves, Evenílson Ferreira Pinto, Atileno Marques da Silva, conhecido como Palermo, e Rogério Vale Mendonça, o Belo.

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Com os traficantes foram localizados quatro fuzis, dezoito granadas, três pistolas, oito carregadores e munição. Os policiais também roubaram cordões de ouro e relógios dos bandidos. Quando chegou no local da ocorrência, o tenente Vítor Mendes determinou a divisão de tarefas entre os policiais. De acordo com a denúncia encaminhada à Auditoria de Justiça Militar Estadual, ele decidiu levar apenas três traficantes e um fuzil para a 37ª Delegacia de Polícia (Ilha do Governador).

Os traficantes Palermo e Belo, chefes do tráfico de drogas do TCP, foram levados para o bairro Itacolomi, também na Ilha, de onde os PMs fizeram contato com uma advogada para negociar o valor do resgate. Os dois foram libertados sete horas depois da prisão, após pagamento dos 300.000 reais. Os policiais ainda venderam os três fuzis apreendidos para traficantes do Morro do Dendê por 140.000 reais. O restante da apreensão foi dividido entre os PMs.

Durante toda a ação, o comandante do 17° BPM manteve contato por telefone com o tenente Mendes. Na divisão, o tenente-coronel Dayzer recebeu 40.000 reais e oito policiais que participaram dos crimes ganharam 1.000 reais cada um. Todos serão afastados de suas funções por ordem judicial.

Além da subsecretaria e do Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (Gaeco) do MP, participam da operação a Corregedoria Geral Unificada (CGU), a Polícia Civil, a Promotoria de Justiça que atua junto à Auditoria de Justiça Militar e a Delegacia de Repressão às Ações Criminosas Organizadas e Inquéritos Especiais (DRACO/IE).

(Com Estadão Conteúdo)

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