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PF mira ministro do Trabalho e deputado por fraudes em registros sindicais

Nova fase aprofunda investigação de esquema em registros de sindicatos revelado por VEJA em março; Helton Yomura foi afastado do comando da pasta

Por Da Redação Atualizado em 5 jul 2018, 08h38 - Publicado em 5 jul 2018, 07h33

A Polícia Federal realiza, na manhã desta quinta-feira, 5, a terceira fase da Operação Registro Espúrio, que apura fraudes nas concessões de registro de sindicatos. Entre os alvos. estão o ministro do Trabalho, Helton Yomura, e o deputado federal Nelson Marquezelli (PTB-SP). Estão sendo feitas buscas no gabinete do parlamentar, no Ministério do Trabalho e na superintendência regional do Trabalho no Rio de Janeiro.

O ministro Helton Yomura foi afastado do cargo. Em nota, a Procuradoria-Geral da República (PGR) afirma que “os investigados utilizam rotineiramente os cargos para viabilizar a atuação da organização criminosa e para solicitar tratamento privilegiado a processos de registros sindicais”.

Ao todo, são dez mandados de busca e apreensão e três mandados de prisão temporária, expedidos pelo ministro Edson Fachin, do Supremo Tribunal Federal (STF). Segundo a PF, “as investigações e o material coletado nas primeiras fases da Operação Registro Espúrio indicam a participação de novos atores e apontam que importantes cargos da estrutura do Ministério do Trabalho foram preenchidos com indivíduos comprometidos com os interesses do grupo criminoso, permitindo a manutenção das ações ilícitas praticadas na pasta”.

Reportagem de capa de VEJA mostrou como funciona a engrenagem de concessão de registros sindicais no Ministério do Trabalho, com o pagamento de propina a servidores indicados politicamente pelo PTB e pelo Solidariedade. O PTB comanda a pasta desde o início do governo do presidente Michel Temer (MDB), em maio de 2016.

Até o fim de 2017, a pasta foi comandada pelo deputado federal Ronaldo Nogueira (RS), que retornou ao Congresso para pavimentar sua candidatura à reeleição. Em janeiro, outra parlamentar do PTB, Cristiane Brasil (RJ), chegou a ser nomeada para o cargo por Temer, mas não assumiu por decisão da Justiça.

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Relembre o esquema

Em março, VEJA revelou como tem funcionado a autorização para o funcionamento de sindicatos no Brasil. Em uma reunião gravada, dois lobistas que atuam em nome de políticos dos partidos detalham ao empresário Afonso Rodrigues, que desde 2012 tentava registrar um sindicato em Goiás, os custos da operação.

A “conta” da propina ficou em nada menos que 3,2 milhões de reais. Para fechar o negócio, combinaram a assinatura de um “contrato de consultoria”, por meio do qual seriam repassados os valores espúrios. O tal documento foi entregue ao empresário num posto de gasolina no interior de Goiás, encontro registrado num vídeo obtido por VEJA.

Registro Espúrio

A primeira fase da Operação Registro Espúrio foi deflagrada em 30 de maio, tendo como alvos os deputados federais Jovair Arantes (PTB-GO) e Paulinho da Força (SD-SP). As investigações indicavam aquilo que VEJA havia revelado: nomeados por indicações políticas, servidores do Ministério do Trabalho favoreceriam indevidamente determinados pedidos de registros sindicais em troca de repasses de valores a políticos ligados aos dois partidos, PTB e Solidariedade, que exercem influência na pasta.

Duas semanas depois, em 12 de junho, foi a vez de ser incluída como alvo a deputada federal Cristiane Brasil (PTB-RJ), filha do presidente nacional do PTB, Roberto Jefferson, e “ex-quase-ministra” do Trabalho, depois de ter sido nomeada por Michel Temer e não ter assumido por força de decisões judiciais. Foram cumpridos mandados de busca no gabinete da parlamentar e em imóveis ligados a ela.

(Com Estadão Conteúdo)

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