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Odebrecht usou offshores para pagar propina na Argentina, Peru e El Salvador, diz MPF

Empreiteira teria feito pagamentos a presidente peruano e ex-secretário de Transportes argentino. João Santana teria intermediado pagamentos em El Salvador

Por Da Redação 22 fev 2016, 18h26

O Ministério Público Federal relatou ao juiz Sérgio Moro, que conduz as ações penais da Operação Lava Jato em Curitiba, no âmbito da Operação Acarajé, prováveis pagamentos de propina da Odebrecht na Argentina, Peru e El Salvador. Segundo o MPF, o responsável pelos pagamentos na Argentina e no Peru é o executivo da empreiteira Fernando Migliaccio, que controla as offshores Constructora Internacional Del Sur e Klienfeld Services, ambas utilizadas pela Odebrecht. Migliaccio tem contra si um mandado de prisão preventiva, que não foi cumprido porque ele está nos Estados Unidos.

E-mails interceptados pela força-tarefa da Lava Jato mostram conversas entre o executivo da empreiteira Maurício Couri Ribeiro e um Manuel Vazquez, assessor do ex-secretário de Transportes da Argentina, Ricardo Raúl Jaime. Na correspondência, Ribeiro e Vazquez conversam a respeito de problemas em um dos pagamentos da Klienfeld ao assessor do secretário argentino. O MPF ressalta que tanto Vazquez quanto Jaime já foram condenados por corrupção no país vizinho.

No relatório enviado a Moro, os procuradores relatam a suspeita de que os pagamentos em favor de Ricardo Raul Jaime foram feitos para a obtenção do contrato de soterramento do Ferrocarril Sarmiento pela Odebrecht. “Nesta seara, impende observar que quando da análise do celular de Marcelo Odebrecht, foram encontradas diversas anotações acerca de ‘Sarmiento'”, afirma o MPF.

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Além de Jaime, é citada pela força-tarefa da Lava Jato a vinculação do presidente do Peru, Ollanta Humala, eleito em 2011, a 3 milhões de dólares, o equivalente a 4,8 milhões de reais pela cotação de 1,6 real adotada no relatório. Os procuradores consideraram no documento as diversas obras no país sul-americano conduzidas pela empreiteira de Marcelo Odebrecht, “muitas das quais financiadas pelo governo brasileiro, havendo contundentes indícios de prática de lobby pela empreiteira junto a agentes políticos peruanos, assim como de financiamento de campanhas eleitorais pela Odebrecht”. Entre as anotações do empresário apreendidas pela Polícia Federal, a Lava Jato cita uma em que o empreiteiro menciona “OH vs humildade” e valores em espécie remetidos ao Peru.

Em El Salvador, onde o marqueteiro João Santana assinou a campanha que elegeu o ex-presidente Maurício Funes em 2009, a força-tarefa da Lava Jato relatou a Sergio Moro que a Odebrecht fez pagamentos destinados a um evento “Via Feira”, referência ao publicitário nas anotações e planilhas de pagamento de propina da empreiteira. Principal alvo da Operação Acarajé, Santana ainda não foi preso porque está na República Dominicana, onde trabalhava na campanha à reeleição do presidente Danilo Medina. O marqueteiro abandonou o trabalho no país caribenho na tarde de hoje.

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