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Obra na casa de filha de Temer foi paga na empresa de Lima, diz engenheiro

Luís Eduardo Visani, responsável pela reforma, afirma ter recebido R$ 950.000 na sede da Argeplan entre 2013 e 2015. Ele depôs no inquérito dos portos

Por Estadão Conteúdo - Atualizado em 9 jun 2018, 12h15 - Publicado em 9 jun 2018, 11h58

A reforma na casa de Maristela Temer, filha do presidente Michel Temer, foi paga, “em dinheiro vivo”, na sede da Argeplan, empresa do coronel reformado da Polícia Militar João Baptista Lima Filho, amigo de Temer há 30 anos. A afirmação consta em depoimento prestado à Polícia Federal pelo engenheiro Luis Eduardo Visani, responsável pela obra.

“Os pagamentos, de fato, totalizaram aproximadamente R$ 950 mil, conforme cópia de recibos apresentados, os quais foram recebidos em parcelas diretamente no caixa da empresa Argeplan”, relatou Visani, em depoimento ao delegado da PF Cleyber Malta Lopes, responsável pelo inquérito sobre o Decreto dos Portos. A investigação apura se Michel Temer beneficiou empresas que atuam no Porto de Santos com a edição do decreto, em 2017, em troca de propina. O coronel Lima é suspeito de intermediar dinheiro ilícito ao emedebista.

Luís Eduardo Visani prestou depoimento em 29 de maio. Ele entregou à PF documentos como planilhas do orçamento feito em nome de Maristela Temer, recibos de pagamentos mensais e edital de concorrência da Argeplan. Segundo Visani, os 950.000 reais repassados pelo coronel Lima, entre 2013 e 2015, custearam a execução da primeira fase das obras no imóvel, localizado em São Paulo.

Na versão do engenheiro, os pagamentos foram realizados mensalmente na sede da empresa de Lima, na Vila Madalena, em São Paulo, e os documentos emitidos por ele foram em nome de Maristela. “Logo no início das obras foi informado ao depoente que se tratava da reforma no imóvel de Maristela Temer (…), vindo a saber depois que se tratava de filha do então vice-presidente Michel Temer”, diz trecho do relatório do depoimento de Visani.

É a primeira vez que uma testemunha do inquérito afirma que a empresa de João Baptista Lima Filho bancou a reforma na casa da filha de Temer.

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‘Cuidados’

Segundo Luís Eduardo Visani, a mulher do coronel Lima, a arquiteta Maria Rita Fratezi, fez diversas recomendações sobre “os cuidados que deveriam ter durante a realização da obra”, inclusive “tendo recomendado que mantivesse a obra limpa”.

Conforme o depoimento de Visani, Maria Rita era a responsável pela reforma e foi ela a quem ele passou os dados bancários para os pagamentos. Nesse momento, disse o engenheiro, a mulher do coronel Lima informou que os valores seriam entregues na Argeplan em “dinheiro vivo”.

Ele relatou também que encontrou a filha de Temer quatro vezes na obra. Segundo Visani, Maristela solicitou que fosse feita uma entrada independente no piso superior da casa, onde seria instalado o consultório dela, que é psicóloga. O engenheiro declarou nunca ter falado com a filha do presidente sobre o orçamento ou como seria executado o contrato.

Em depoimento à PF no início de maio, Maristela Temer afirmou que não recebeu ajuda em dinheiro do coronel ou da sua empresa. Ela disse também que foi a responsável pela obra e que recebeu ajuda financeira da mãe, além de empregar dinheiro próprio na reforma.

Procurada na noite desta sexta-feira, 8, a defesa de Maristela não se manifestou. A assessoria do Palácio do Planalto e a defesa do coronel Lima não se pronunciaram.

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