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OAB pede a Moro acesso a processos da Acarajé

Documentos serviriam à instrução do processo em que a OAB avalia se embarca ou não no pedido de impeachment de Dilma Rousseff

O Conselho Federal da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB) enviou na semana passada um ofício ao juiz Sergio Moro, que conduz os processos da Operação Lava Jato em primeira instância em Curitiba, solicitando cópias dos processos da Operação Acarajé, a 23ª fase da Lava Jato. O pedido é assinado por Erick Venâncio Lima do Nascimento, membro do Conselho. O conselheiro quer utilizar a Acarajé, que terminou com a prisão do marqueteiro do PT, João Santana, para instruir o processo relatado por ele na OAB a respeito da adesão ou não da instituição ao pedido de impeachment de Dilma.

O Conselho Federal da OAB analisa a viabilidade ou não da instauração do processo de impedimento desde a rejeição das contas de 2014 do governo da petista no TCU, em outubro de 2015. Por três votos a dois, a comissão especial criada pelo conselho decidiu contrariamente ao embarque no pedido contra a presidente, justificando que as irregularidades não teriam sido praticadas no mandato atual de Dilma e o Congresso ainda não havia deflagrado o processo.

Nascimento foi indicado pelo ex-presidente da OAB, Marcus Vinícius Coelho, para avaliar o posicionamento da comissão especial e apresentar um voto ao Plenário do Conselho Federal da OAB, a quem caberá decidir se há ou não razões para a instituição encampar um pedido de impeachment de Dilma Rousseff.

Acarajé – Deflagrada pela Polícia Federal há uma semana, a operação mirou pagamentos de offshores da Odebrecht e do operador de propinas Zwi Skornicki ao marqueteiro João Santana e sua mulher e sócia, Mônica Moura. Os dois estavam na República Dominicana, onde trabalhavam na campanha pela reeleição do presidente Danilo Medina, e foram presos na terça-feira passada, ao desembarcarem no aeroporto de Guarulhos, em São Paulo.

Além de Santana e Mônica, foram presos na Acarajé o operador Skornicki e executivos da Odebrecht, como Benedito Junior, Hilberto Mascarenhas e Fernando Migliaccio, este detido na Suíça.

O nome da operação se deve ao modo como os executivos da empreiteira se referiam a dinheiro em espécie para pagamento de propinas.

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