O voto que pode decidir a disputa no STF no julgamento do caso Moraes-Vorcaro
Elias Tavares vê Corte dividida em dois polos e aponta possível fiel da balança na sessão: 'Ela vai acabar sendo ali o pêndulo'
A ministra Cármen Lúcia pode assumir o papel de fiel da balança na sessão que colocará frente a frente as duas alas em que o Supremo Tribunal Federal está dividido, nesta terça. A avaliação é do cientista político Elias Tavares, que, no Ponto de Vista, apresentado por Laísa Dall’Agnol, afirmou enxergar dois polos claramente organizados na Corte e disse que o comportamento da magistrada é uma das principais incógnitas para o julgamento. “Eu acho que ela vai acabar sendo ali o pêndulo”, afirmou (este texto é um resumo do vídeo acima).
A divisão levou Tavares a aplicar ao Supremo um método de análise normalmente utilizado para o Congresso: calcular como cada “bancada” tende a se comportar. “É a primeira vez, confesso, que eu faço essa análise de bancada para o STF”, disse. Para ele, a necessidade desse tipo de conta demonstra o grau de divisão interna que antecede a sessão.
Como o STF acabou dividido em “duas bancadas”?
Tavares afirmou que os últimos acontecimentos tornaram mais nítida a existência de dois polos dentro do Supremo. “A gente tem ali claramente dois polos dentro do STF”, disse. “Você vê o STF, de certa forma, acuado ali, esperando para ver como vai acontecer, mas muito organizado, cada um com as suas posições”, afirmou.
Por que Cármen Lúcia pode ser o voto-pêndulo?
É justamente diante desse equilíbrio entre os dois lados que Tavares chama atenção para Cármen Lúcia. Segundo ele, o comportamento da ministra pode adquirir peso especial na definição do resultado.
“Eu estou bem curioso para saber como é que vai se comportar a ministra”, afirmou.
Tavares não afirmou qual posição espera que Cármen adote. A incógnita, na verdade, é parte central de sua análise: diante de um Supremo que considera dividido, o voto da ministra surge como um dos movimentos capazes de alterar a correlação de forças entre os dois polos.
Um pedido de vista pode mudar o roteiro?
Além da posição de Cármen Lúcia, Tavares apontou outra variável capaz de interferir no andamento da sessão: um eventual pedido de vista.
“Tem esses elementos de que pode, sim, algum dos ministros pedir vista. Eu acho que deve acontecer essa questão de vista”, afirmou.
O cientista político também demonstrou expectativa sobre a possibilidade de antecipação de votos. O conjunto dessas variáveis torna, em sua avaliação, difícil prever até onde a sessão conseguirá avançar.
Por que a sessão será um teste para o Supremo?
O julgamento ocorrerá em meio à pressão da imprensa e da população e com a Corte, em sua avaliação, “acuada”. Ao mesmo tempo, os dois polos chegam organizados em torno de suas posições.
O cientista político disse perceber sinais de possíveis movimentos para “melar um pouco esse processo” durante a própria sessão, embora não tenha atribuído no trecho essa possibilidade a um ministro específico.
É nesse cenário que a análise tradicional de votos de uma bancada parlamentar passa, segundo ele, a fazer sentido também para o Supremo. O resultado dependerá de como essas forças se comportarão quando a discussão chegar ao plenário — e, principalmente, de onde ficará o peso ainda incerto representado por Cármen Lúcia.
VEJA+IA: Este texto resume um trecho do programa audiovisual Ponto de Vista (confira o vídeo acima). Conteúdo produzido com auxílio de inteligência artificial e supervisão humana.







