O ‘sinal de alerta’ para Flávio Bolsonaro que recoloca Michelle no centro da campanha
Partido tenta levar ex-primeira-dama aos palanques nos maiores colégios eleitorais
Depois de um período de atritos e perda de espaço na campanha, Michelle Bolsonaro voltou a ser tratada pelo PL como uma peça importante para a candidatura de Flávio Bolsonaro. No Ponto de Vista, apresentado por Laísa Dall’Agnol, o repórter de Radar Gabriel Sabóia detalhou a articulação para levar Michelle a atos em São Paulo, Minas Gerais e Rio. Para o cientista político Rodrigo Prando, há uma razão eleitoral clara para o movimento: Flávio enfrenta dificuldades justamente entre as mulheres, segmento no qual a presença da ex-primeira-dama pode ajudá-lo (este texto é um resumo do vídeo acima).
Segundo Sabóia, o PL entrou em uma fase mais estratégica da campanha e considera prioritários os três maiores colégios eleitorais do país. A programação prevê uma série de atos de Flávio até o primeiro turno, com a expectativa de que Michelle participe de pelo menos um evento em cada um dos três estados. O objetivo, segundo o repórter, é reforçar o vínculo do candidato com esses eleitorados e evitar perda de votos.
“Chegamos numa fase da campanha que o PL começa a agir de maneira bastante estratégica”, afirmou Sabóia. Nesse planejamento, a presença de Michelle, que já era considerada necessária, ganhou ainda mais importância.
Por que Michelle voltou ao centro da estratégia?
Sabóia apontou o eleitorado feminino como uma das razões para o esforço do presidente do PL, Valdemar Costa Neto, para convencer Michelle a subir nos palanques de Flávio. A ex-primeira-dama já havia gravado vídeos em apoio ao enteado, mas, segundo o repórter, ainda não havia participado presencialmente de um ato de campanha ao lado dele.
Há dificuldades para colocar a estratégia em prática. Sabóia mencionou questões logísticas relacionadas à própria campanha de Michelle e à sua permanência em Brasília, além dos atritos anteriores na família. Ainda assim, o PL considera que chegou a hora de transformar o apoio manifestado em vídeos em presença física nos eventos.
A movimentação ocorre também enquanto outras candidaturas tentam crescer. Sabóia citou o avanço de Augusto Cury nas pesquisas e a oscilação de Ronaldo Caiado como fatores que reforçam a preocupação do PL em preservar o eleitorado de Flávio e conter o avanço de alternativas na disputa.
Por que o voto feminino preocupa Flávio?
Prando foi direto ao interpretar a importância eleitoral da ex-primeira-dama. “Michelle tem um peso muito forte para o eleitorado num segmento em que o Flávio tem dificuldade enorme de crescimento, que é o segmento das mulheres”, afirmou.
Segundo o cientista político, o voto feminino é especialmente difícil para Flávio quando seu desempenho é comparado ao de Lula. É nesse ponto que Michelle pode oferecer à campanha algo que o candidato tem dificuldade para conquistar sozinho.
A estratégia do PL, portanto, vai além de obter uma declaração pública de apoio. “O que o Valdemar quer, e isso é importante para a campanha, é a presença física ao lado dele e nas ruas”, disse Prando. São Paulo, Minas Gerais e Rio de Janeiro, acrescentou, assumem papel decisivo nesse esforço.
O que aconteceu com o atrito entre Michelle e Flávio?
A nova ofensiva também evidencia uma mudança em relação ao período de confronto público entre Michelle e Flávio. Laísa lembrou que o episódio chegou a colocar os dois em campos opostos dentro do próprio PL e alimentou avaliações de que a ex-primeira-dama havia perdido espaço com a consolidação da candidatura do enteado.
Prando afirmou que aquele conflito provocou forte desgaste para a candidatura de Flávio. A situação permaneceu em suspenso até que os dois lados voltaram a se aproximar. Para o cientista político, a explicação está na necessidade eleitoral: “Por questões muito ligadas ao pragmatismo político, eles se reconciliaram”.
Michelle já declarou apoio a Flávio e os atritos foram publicamente amenizados. O passo que o PL tenta dar agora é outro: transformar a reconciliação em campanha de rua, especialmente onde o partido considera mais necessário reforçar a candidatura.
Por que a presença física se tornou tão importante?
Prando destacou ainda que Flávio não reproduz atualmente, em estados como São Paulo e Rio, a vantagem eleitoral que Jair Bolsonaro conseguiu construir. Para o cientista político, a diferença funciona como “um sinal de alerta” para a candidatura.
É nesse cenário que Michelle volta a ocupar uma função estratégica. Se os vídeos ajudaram a demonstrar que o conflito familiar foi superado, a campanha agora quer sua presença nos palanques. O movimento descrito no Ponto de Vista mostra que, depois dos atritos, a necessidade de conquistar o eleitorado feminino e defender votos nos principais estados recolocou a ex-primeira-dama no centro dos cálculos eleitorais do PL.
VEJA+IA: Este texto resume um trecho do programa audiovisual Ponto de Vista (confira o vídeo acima). Conteúdo produzido com auxílio de inteligência artificial e supervisão humana.






