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O roteiro de realeza de Eduardo Cunha na Europa

Segundo denúncia da Procuradoria-Geral da República, parte da propina recebida no petrolão foi usada para cobrir os gastos de luxo do peemedebista e da família

Por Da Redação 14 jun 2016, 10h23

Do alto do morro de Adlisberg, a vista da cidade de Zurique e dos Alpes é de cartão-postal. No local, impera o Grand Hotel Dolder desde 1899, decorado com obras de Salvador Dalí e Andy Warhol. Além de ter sido cenário do filme “A Garota com Tatuagem de Dragão”, de David Fincher, o hotel já hospedou Henry Kissinger, Winston Churchill, Luciano Pavarotti, Hillary e Bill Clinton, o príncipe William, e o presidente afastado da Câmara, Eduardo Cunha (PMDB-RJ). Além do hotel suíço, o peemedebista descansou em vários outros hotéis de luxo da Europa.

Parte das despesas dos passeios pelo velho continente foi paga com propina do esquema de corrupção da Petrobras, segundo denúncia da Procuradoria-Geral da República acatada pela Justiça Federal contra a mulher do deputado, a jornalista Cláudia Cruz. A PGR sustenta que ela usou recursos ilícitos para cobrir gastos com luxos comprados no exterior, incluindo as hospedagens.

No dia 12 de fevereiro de 2013, por exemplo, a conta do casal alvo da Lava Jato foi de 1.043,40 dólares no Dolder. O casal usou o cartão Corner Card. O dinheiro de desvios na estatal teria sido transferido para a conta Kopek, em Genebra, que está no nome de Cláudia Cruz. No dia seguinte à estadia no Dolder, Cunha foi para outro hotel de Zurique, o Baur au Lac, com uma conta maior: 3,6 mil dólares. O local, dois anos depois, seria o mesmo palco da operação policial conduzida pelos suíços que terminou com a prisão de outro brasileiro acusado por corrupção: José Maria Marin, o ex-presidente da CBF.

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Outro sinônimo de sofisticação foi desfrutado por Cunha já no mês seguinte, só que na Espanha. O W. Barcelona já recebeu nobres do Oriente Médio, como o Rei Abdala II da Jordânia e a rainha Rania. No dia 25 de março, sua conta no local chegou a 3,5 mil dólares. No mesmo mês do ano seguinte, a família Cunha pagou 4,9 mil dólares para se hospedar em um dos hotéis mais caros da Itália, o Danieli, em Veneza. No Four Seasons, em Florença, Cunha deixou 2,7 mil dólares. No Raphael, em Roma, a conta ficou mais barata, 1,9 mil dólares, no dia 3 de março de 2014.

Paris também foi bem explorada pelo casal Cunha. Em fevereiro de 2015, no auge da Lava Jato, Cunha, Cláudia e sua filha escolheram o Plaza Athénée, um palácio francês frequentado pelas maiores afortunados do mundo. A família pagou a fatura no dia 19 de 15.880,26 dólares. No restaurante do hotel, uma refeição pode chegar a � 390 dólares. Cinco dias antes, a rotina gastronômica havia começado no Guy Savoy, um restaurante à beira do Rio Sena, com três estrelas no Guia Michelin. Valor: 1.357,24 dólares.

No dia seguinte, a família resolveu pagar menos. Em 15 de fevereiro, o gasto foi de 965,69 no Les Tablettes dólares – Jean-Louis Nomicos, de só uma estrela no Michelin, situado no 16.º Distrito de Paris, um dos mais elitistas da capital. Na véspera de partir, no dia 18, o trio voltou a escolher um três estrelas, o Le Grand Véfour, ao preço de 1.177,76 dólares.

Entre almoços e jantares, Cláudia e a filha conseguiram encaixar compras em lojas de luxo. Na Louis Vuitton, deixaram 1.482,11 dólares. Na Ermenegildo Zegna, 8.111,79 dólares. Na Chanel, 2.879,51 dólares. Na Charvet Place Vendôme, 6.537,77 dólares. Na Hermès, 1.676,65 dólares. E na Balenciaga, 960,58 dólares.

Já em Cascais, em Portugal, Cunha soube o que é dormir em um palácio real, tal como diz o slogan do Grande Real Villa Hotel, em 22 de fevereiro de 2015. No local, gastou 2,9 mil dólares.

(Com Estadão Conteúdo)

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