O que provocou a mudança de estratégia na campanha de Flávio Bolsonaro
Com início das convenções, partidos do Centrão se mantêm neutros. O senador reage a crises e reformula seus planos
A corrida presidencial entra em uma nova fase com o início das convenções partidárias, quando as legendas oficializam candidaturas e definem alianças para a disputa pelo Palácio do Planalto. Segundo apuração apresentada no programa Ponto de Vista, partidos do Centrão sem candidato próprio à Presidência tendem a adotar uma posição de neutralidade, liberando seus filiados para apoiar diferentes chapas estaduais e nacionais. Paralelamente, a campanha do senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) prepara uma mudança de estratégia para tentar reagir à sequência de crises que atingiu sua pré-candidatura (este texto é um resumo do vídeo acima).
Por que o Centrão decidiu manter distância de Flávio Bolsonaro?
Legendas como União Brasil, PP e Republicanos devem evitar um alinhamento formal com qualquer candidatura presidencial durante as convenções. Até recentemente havia expectativa de que esse bloco apoiasse Flávio, mas a sucessão de crises envolvendo o senador levou as siglas a optarem por uma “distância protocolar”. Com isso, dirigentes e filiados ficam livres para negociar alianças de acordo com as realidades locais.
O que motivou a mudança de estratégia da campanha?
Ao participar do programa diretamente de Brasília, a editora Laryssa Borges afirmou que a campanha do senador passou a rever sua atuação diante de uma combinação de fatores adversos. “É uma avalanche de más notícias: brigando com a família, essa desavença com a Michelle Bolsonaro, a questão do ‘tarifaço’, o desempenho das pesquisas que ainda não mostram o senador com um volume de votos relevante.”
Segundo Laryssa, a avaliação da equipe foi de que seria necessário promover uma “chacoalhada” na campanha às vésperas das convenções partidárias.
Como a campanha pretende explorar o tema do custo dos alimentos?
De acordo com a editora, uma das frentes da nova estratégia parte da percepção dos eleitores sobre o aumento do custo de vida, identificada por uma pesquisa Quaest.
A orientação recebida por Flávio Bolsonaro foi intensificar gravações em supermercados e feiras para comparar preços atuais de produtos com os registrados em 2019, primeiro ano do governo Jair Bolsonaro. A jornalista ponderou, contudo, que a escolha do período de comparação faz parte de uma estratégia política.
“É estratégico comparar com 2019, porque o governo do Jair Bolsonaro teve a pandemia. Dependendo do recorte do preço dos alimentos que o Flávio Bolsonaro adotasse, isso ia acabar se virando contra ele.”
Segundo ela, o objetivo é reforçar o discurso de que produtos básicos estariam mais caros durante o governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva.
Por que os ataques ao STF voltaram ao centro da campanha?
Outro eixo da estratégia será a retomada de críticas ao Supremo Tribunal Federal (STF), especialmente após decisões envolvendo o ex-presidente Jair Bolsonaro. Segundo Laryssa, a campanha concluiu que precisava mobilizar novamente sua base eleitoral. “Ele no início tinha se colocado como um candidato moderado, ou ‘o Bolsonaro que tomou vacina’. O que ele percebeu? Ele precisa inflamar a militância dele.”
A jornalista afirmou que interlocutores da campanha avaliam que críticas ao STF ajudam a manter mobilizados os eleitores mais identificados com o bolsonarismo. Segundo ela, esse discurso será reforçado com argumentos de perseguição política e críticas às restrições impostas ao ex-presidente.
Qual o diagnóstico da campanha sobre as pesquisas?
Durante a entrevista, Laryssa afirmou que os números das pesquisas também influenciaram a reformulação da estratégia eleitoral. Segundo ela, levantamentos recentes indicam que Flávio mantém cerca de 36% das intenções de voto em um eventual segundo turno, percentual semelhante ao registrado no fim do ano passado.
Como a segurança pública passa a ocupar espaço central na campanha?
O terceiro eixo da estratégia será concentrado na segurança pública, tema considerado pela campanha como uma vulnerabilidade do governo federal. Segundo a editora, Flávio pretende intensificar propostas relacionadas ao combate ao crime, à construção de presídios e ao endurecimento das políticas penais durante a propaganda eleitoral.
Na avaliação apresentada no programa, a intenção é explorar um tema que a campanha considera sensível para parte do eleitorado e, ao mesmo tempo, tentar recuperar espaço político em um momento em que o senador enfrenta dificuldades para ampliar sua base de apoio e ainda não conquistou o respaldo formal dos principais partidos do Centrão.
VEJA+IA: Este texto resume um trecho do programa audiovisual Ponto de Vista (confira o vídeo acima). Conteúdo produzido com auxílio de inteligência artificial e supervisão humana.






