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O ódio aos presidenciáveis no Twitter

Levantamento exclusivo feito a pedido de VEJA mostra que todos os nomes lançados ao Planalto acumulam mais menções negativas que positivas na rede

Por Rafael Moraes Moura, Laryssa Borges 21 nov 2021, 14h15

O ânimo dos eleitores não anda dos melhores quando se trata dos rumos do País — e da impressão provocada pelos candidatos já lançados na disputa pela Presidência da República. Um levantamento feito pela Genial/Quaest, a pedido de VEJA, mostra que todos os nomes que estão na corrida pelo Palácio do Planalto acumulam mais menções negativas do que positivas no Twitter. E mais: campeão de rejeição, o presidente Jair Bolsonaro concentra a maior quantidade do total de menções consideradas de sentimento negativo — 65%. O “pódio do ódio” é formado pelo ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva (com a fatia de 17% das menções negativas no Twitter) e o eterno presidenciável Ciro Gomes, com 5%. O ex-juiz federal Sergio Moro e o governador de São Paulo, João Doria (PSDB), aparecem logo em seguida, com 4% e 3% respectivamente.

O levantamento mapeou um universo de 21,7 milhões de postagens no Twitter entre 1º de agosto e 31 de outubro deste ano. Nesse período, o presidente dominou o debate político, registrando um pico de menções na semana do Sete de Setembro, quando  inflamou a estridente militância bolsonarista com discursos de teor golpista e ataques a instituições democráticas. “O que a gente está vendo nas redes é que a maior parte das pessoas tem um sentimento muito negativo em relação à política como um todo, e isso se reflete na menção aos candidatos. O Bolsonaro é quem tem um volume muito superior de menções negativas, o que é algo inédito. Ele sempre foi o rei da internet, e hoje está sofrendo muito nesse ambiente. Ele deixou de ter o controle da narrativa na internet”, aponta o cientista político e diretor da Quaest, Felipe Nunes.

Na avaliação de Nunes, Bolsonaro não controla mais a narrativa nas redes sociais porque o País inteiro observa o seu governo, suas ações concretas e as decisões tomadas no dia a dia. “Em janeiro, as menções positivas e negativas em relação ao governo eram quase do mesmo tamanho. A diferença hoje é absurda. Como os dados da economia são muito ruins, as pessoas estão piorando a percepção das suas vidas, fazendo recair a culpa sobre o presidente”, explica Nunes. Entre os principais termos usados pelos internautas contra Bolsonaro, estão expressões como “Fora Bolsonaro”, “voto impresso” (a infundada bandeira levantada pelo chefe do Executivo, já derrotada no Congresso), “7 de Setembro” e “CPI da Covid”, que narrou em detalhes a desastrosa resposta do atual ocupante do Planalto à disseminação do coronavírus.

No caso de Lula, os principais termos usados contra o petista no Twitter são “Lava Jato” e “Lula e Dilma”. O ex-presidente foi preso e condenado por corrupção passiva e lavagem de dinheiro na ação do triplex do Guarujá, mas acabou solto, após o Supremo Tribunal Federal (STF) alterar o entendimento sobre a possibilidade de prisão após condenação em segunda instância. Bolsonaro pretende retomar a bandeira anticorrupção para melindrar o adversário. Já os sentimentos mais negativos contra Doria envolvem críticas ao projeto do governo de São Paulo que altera as regras trabalhistas para os servidores públicos estaduais, enquanto Moro também é atacado por sua atuação à frente da Lava Jato e no governo Bolsonaro, sendo chamado de “juiz ladrão” (discurso de setores da esquerda) e associado à “alta traição” (narrativa de aliados do presidente). Já Ciro Gomes “mente de maneira descartada”, segundo os internautas.

“A rejeição é alta de uma maneira geral porque a polarização está muito intensa e porque há descrença com o jogo político. A pandemia escancarou a incompetência geral, especialmente do presidente, e a classe política não foi capaz de atender aos anseios dos brasileiros. E quem ama Lula odeia Bolsonaro e Moro. Quem ama Moro odeia Lula. Quem ama Bolsonaro odeia Lula e desconfia de Moro. O que há de novo é que a intensidade dessas emoções está muito mais forte do que no passado”, resume o cientista político Sérgio Praça, da Fundação Getulio Vargas (FGV). “A rejeição é crucial para mostrar quem desse pessoal da direita pode ultrapassar Bolsonaro e vencer Lula no segundo turno. O ano que vem vai ser totalmente tomado para definir quem vai ser o anti-Lula.”‘

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