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O grande salto de Fernando Haddad

Até então um quase desconhecido ex-ministro da Educação, Haddad alcançou popularidade entre o eleitorado paulistano e chegou à prefeitura de São Paulo impulsionado pela máquina do PT, com o ex-presidente Lula no comando

Por Da Redação 28 out 2012, 18h40

O novo prefeito de São Paulo, Fernando Haddad, nasceu na capital em 25 de janeiro de 1963 e cresceu em uma família de classe média no Planalto Paulista. Aos 49 anos, soma no seu currículo quase sete como ministro da Educação (governos Lula e Dilma). Também foi chefe de gabinete da secretaria municipal de Finanças do governo Marta Suplicy, assessor especial no Ministério do Planejamento e presidente do Centro Acadêmico XI de Agosto, da Faculdade de Direto do Largo de São Francisco, onde se formou. É mestre em Economia, doutor em Filosofia pela USP e professor de ciência política na universidade.

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Casado com a dentista Ana Estela, de 46 anos, é pai de Frederico, 20, e Ana Carolina, 12. A família de Haddad participou ativamente da campanha, com “minicomícios” e agendas públicas do filho mais velho e da mulher durante o segundo turno.

Filho de um comerciante libanês da 25 de Março, Haddad teve como primeira escola de vida o balcão da loja de tecidos do pai, a Mercantil Paulista de Tecidos, onde trabalhou até 1997. Iniciou a carreira na gestão pública em 2001, como chefe de gabinete da Secretaria Municipal de Finanças na gestão de Marta Suplicy.

Em 2003, mudou-se para Brasília, onde trabalhou no primeiro escalão dos ministérios do Planejamento e da Educação, até assumir o MEC em 2005. Durante seu período como ministro, criou o Programa Universidade Para Todos (ProUni) – que concede bolsas de estudo em faculdades a estudantes de baixa renda – e enfrentou graves problemas no Exame Nacional do Ensino Médio (Enem): em 2009, houve vazamento de provas e, em 2010, erros de impressão.

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Candidatura – Haddad se tornou candidato a prefeito de São Paulo por obra única e exclusiva do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva, seu padrinho político e principal cabo eleitoral. Lula fez muitos petistas, como a ex-prefeita Marta Suplicy, engolirem a candidatura do pupilo. A contrariedade de alguns membros do partido tinha motivo: antes da eleição, Haddad era praticamente um desconhecido em São Paulo. E na disputa estaria o ex-prefeito, ex-governador, ex-ministro e presidenciável José Serra, velho conhecido do eleitorado.

Até agosto, já em campanha oficial, Haddad ainda era confundido na rua com Gabriel Chalita, candidato derrotado do PMDB, e teve de encarar a rejeição de alguns eleitores do próprio PT, que não queriam dar seu voto a um desconhecido com ares de intelectual. Porém, o poder do marketing político e uma campanha cara, associados aos quase oito minutos de exposição no horário eleitoral deram a Haddad uma popularidade que não experimentou em nenhum dos anos em que foi ministro.

O petista conseguiu sair de míseros 3% de intenção de votos nas primeiras pesquisas para conquistar uma das vagas na disputa do segundo turno. Uma façanha de que, em alguns momentos, ele próprio chegou a duvidar. O alívio era evidente no rosto do candidato após a apuração do primeiro turno, e o resultado deu ao petista mais segurança nos embates com o rival José Serra na segunda fase da campanha.

Com toda a máquina do PT a seu favor, um séquito de ministros e a própria presidente, Dilma Rousseff, subindo no palanque para pedir votos, Haddad alcançou a massa do eleitorado petista que levou o partido mais uma vez à prefeitura de São Paulo, oito anos depois da última gestão petista. Esse pode ser considerado o primeiro passo no projeto do partido de tentar chegar ao Palácio dos Bandeirantes, onde jamais pisou.

Vice – A nova vice-prefeita, Nádia Campeão, entrou na chapa de Fernando Haddad após a renúncia da ex-prefeita e deputada federal (PSB-SP) Luiz Erundina, que desistiu quando Haddad e Lula apareceram em fotos ao lado de Paulo Maluf na oficialização da aliança com o PP. A vaga foi então oferecida ao PC do B, de Nádia, e mantida a escolha de ter uma vice mulher na chapa petista.

Na época, Nádia se mostrou confortável com a aliança com Maluf. “Temos que lidar com o fato de que é importante criar alianças e concordo que não é o caso de personificar esse acordo com PP. Não vejo nenhum problema”, declarou.

Filha de comerciantes de Rio Claro, Nádia, de 54 anos, é engenheira agrônoma e está no PC do B desde 1976, sendo atualmente presidente estadual do partido. Na vida pública, foi secretária municipal de Esportes na gestão da petista Marta Suplicy (2001-2004). A vice-prefeita atribui a si mesma ter conseguido, mesmo com o baixo orçamento da secretaria, recuperar clubes, incentivar as corridas de rua e a construção e manutenção de piscinas públicas.

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