O gol de Lula em Flávio nos bastidores da pré-campanha eleitoral
Senador subestimou a lógica de funcionamento dos partidos de centro, enquanto presidente avança na construção de alianças regionais sem romper pontes
A dificuldade de Flávio Bolsonaro em atrair o apoio de partidos do centro decorre, em grande medida, de erros de articulação política. Essa é a avaliação do editor de VEJA José Benedito da Silva, feita durante o programa Os Três Poderes, apresentado por Ricardo Ferraz (este texto é um resumo do vídeo acima).
Ao comentar o distanciamento de legendas da pré-campanha do senador, José Benedito afirmou que houve uma leitura equivocada sobre o funcionamento dessas siglas. “O Flávio foi muito amador em termos de articulação política”, afirmou.
Segundo o jornalista, a campanha teria apostado que conversas de última hora seriam suficientes para assegurar apoios. Não deu certo.
Por que o Centrão mudou sua forma de atuar?
Na avaliação de José Benedito, a lógica das alianças partidárias mudou nas últimas eleições, sobretudo após o fortalecimento das emendas parlamentares e da estratégia de ampliar bancadas no Congresso. Segundo ele, a prioridade das legendas do centro deixou de ser a adesão antecipada a um candidato presidencial e passou a ser a preservação de espaço político independentemente do vencedor da eleição. “A grande preocupação hoje do União Brasil, do PP, do Republicanos, do PSD e do MDB é fazer grandes bancadas.”
Para o editor, esse cálculo explica por que essas legendas evitam assumir compromissos definitivos neste momento da disputa. “Se o Flávio ganhar, eles vão estar lá. Se o Lula ganhar, eles vão estar lá. Se o Caiado ganhar, eles vão estar lá.”
Como Lula tem explorado esse cenário?
Segundo José Benedito, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva compreendeu essa dinâmica e adotou uma estratégia de aproximação gradual com os partidos do centro. O jornalista afirmou que o presidente já conseguiu estruturar palanques estaduais em todo o país e trabalha para manter canais de diálogo abertos com diferentes lideranças regionais. “O Lula já montou palanques, aliás, em todos os estados, enquanto o Flávio ainda está correndo atrás.”
Na avaliação do editor, a estratégia do presidente não busca transformar os partidos em adversários diretos, preservando condições para futuras composições políticas.
O que explica a neutralidade de parte das legendas?
José Benedito afirmou que, em diversos estados, o governo tem adotado uma política de convivência com candidatos de partidos como PP, União Brasil e Republicanos, evitando confrontos desnecessários. Segundo ele, essa postura facilita a manutenção de pontes para uma eventual composição após as eleições. “A ideia é que não se queimem pontes para que esses partidos possam depois integrar o governo mais à frente.”
Para o editor, esse comportamento ajuda a explicar por que algumas legendas preferem permanecer neutras durante a pré-campanha, adiando uma definição nacional enquanto fortalecem seus projetos regionais.
VEJA+IA: Este texto resume um trecho do programa audiovisual Os Três Poderes (confira o vídeo acima). Conteúdo produzido com auxílio de inteligência artificial e supervisão humana.







