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O ‘esqueleto’ da CPI e os impactos no plano eleitoral de Bolsonaro

Parlamentares fazem mea-culpa pela não convocação do general Walter Braga Netto, virtual vice na chapa do presidente à reeleição

Por Laryssa Borges Atualizado em 11 abr 2022, 18h44 - Publicado em 11 abr 2022, 18h38

O fato congressual mais relevante do governo de Jair Bolsonaro – a CPI da Pandemia, instalada há quase um ano – ainda reverbera entre parte dos senadores do colegiado, que hoje fazem uma espécie de mea-culpa por não terem conseguido, ao longo dos trabalhos, convocar para depoimento o então ministro da Defesa Walter Braga Netto. A menos de seis meses do primeiro turno e com o mesmo Braga Netto como nome favorito para se apresentar como candidato a vice-presidente, integrantes da comissão de inquérito acreditam que, se tivessem sido mais incisivos e colocado o militar para depor, poderiam ter desgastado o presidente junto a caserna e, em um cenário um tanto quanto otimista, evitado que o general se cacifasse para integrar a chapa da reeleição.

CPI colheu 58 depoimentos, quebrou 251 sigilos de investigados e reuniu 9,4 terabytes de dados, mas nem sempre conseguiu esclarecimentos convincentes dos convocados ou dos documentos amealhados na apuração. Perdeu parte do tempo em depoimentos de estelionatários e, na avaliação do senador Alessandro Vieira (PSDB-SE), ainda tem como principal lacuna exatamente a falta de explicações sobre o papel do general no atraso na aquisição de vacinas e na coordenação de compras de insumos para enfrentar o coronavírus. Quando ocupou a chefia da Casa Civil, Braga Netto era coordenador do comitê de crise da pandemia.

“Não ouvir o Braga Netto foi um erro porque ele pode vir a ser vice-presidente. O requerimento rodou, rodou e não chegou a lugar algum”, diz Vieira. “Naquele momento, personagens estranhos, pitorescos, que orbitam o governo Bolsonaro e fazem a pequena corrupção, chamaram a atenção, mas a grande corrupção, a celebração dos grandes contratos [na área de saúde] não foi investigada”, comenta o senador.

Embora tenha sido desdenhada diariamente pelo presidente, a CPI causava calafrios no Palácio do Planalto cada vez que direcionava os trabalhos para apurar o possível envolvimento de militares no descontrole da pandemia.  Em um dos momentos de maior tensão, um importante auxiliar do presidente chegou a elucubrar a hipótese de o general se recusar a comparecer à CPI. “A Polícia Federal vai bater na casa do ministro da Defesa para levá-lo à força? E, se na hora de conduzi-lo, o general estivesse acompanhado de algumas pessoas armadas de fuzil?”, disse à na época.

A oitiva nunca aconteceu, mas Braga Netto acabou incluído na lista de autoridades indiciadas pela CPI por epidemia culposa com resultado morte. Nesta segunda-feira 11, Jair Bolsonaro disse em entrevista haver “90% de chance” de o general ser o nome escolhido para disputar as eleições como vice e afirmou que a presença de um militar na chapa presidencial dá “credibilidade” a ela.

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