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O dilema da campanha de Flávio Bolsonaro envolvendo o pai

Restrições impostas a Jair Bolsonaro e incerteza sobre o uso de IA obrigam campanha a esperar definição da Justiça Eleitoral

Por Redação VEJA Materia seguir SEGUIR Materia seguir SEGUINDO 7 ago 2026, 21h55 | Atualizado em 10 ago 2026, 10h54
O dilema da campanha de Flávio Bolsonaro envolvendo o pai Priorizar nos meus resultados Google

A imagem de Jair Bolsonaro é, ao mesmo tempo, o principal ativo político e um dos maiores problemas da pré-campanha de seu filho Flávio Bolsonaro. Escolhido pelo pai para disputar a eleição, o senador terá de definir como explorar a associação entre os dois sem esbarrar nas restrições impostas ao ex-presidente pela Justiça. O assunto foi abordado pela repórter Rayssa Motta, em entrevista a Marcela Rahal no programa VEJA em Foco. (este texto é um resumo do vídeo acima)

Como usar a imagem de Bolsonaro sem infringir as regras?

Segundo Rayssa, a campanha de Flávio enfrenta uma questão central: Jair Bolsonaro está submetido a regras que restringem sua comunicação externa e também manifestações político-eleitorais por terceiros. A dificuldade aumentou depois que o senador leu uma carta escrita pelo pai, episódio que provocou uma ofensiva judicial, de acordo com a repórter.

Outro ponto de incerteza envolve um vídeo de Jair Bolsonaro exibido na convenção do PL e produzido com inteligência artificial. O material foi identificado como conteúdo gerado por IA, mas a Justiça Eleitoral ainda deverá avaliar se a utilização foi regular. A campanha, segundo Rayssa, pretende aguardar uma definição concreta antes de decidir se voltará a empregar a imagem do ex-presidente em peças eleitorais.

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O que está em jogo no uso da inteligência artificial?

A campanha de Flávio e o PL sustentam, segundo a repórter, uma interpretação segundo a qual a restrição ao conteúdo sintético criado por IA estaria voltada principalmente a casos de desinformação, conteúdos ilícitos ou utilização não autorizada de imagem. A avaliação, porém, ainda será submetida à Justiça Eleitoral. As regras do TSE para 2026 estabelecem exigências específicas para conteúdos produzidos ou modificados por inteligência artificial, inclusive a identificação explícita de sua utilização.

Rayssa afirmou que ministros do Tribunal Superior Eleitoral deveriam discutir o caso e que a decisão poderá estabelecer uma referência para situações semelhantes. Até lá, a campanha de Flávio deve manter cautela sobre a utilização da imagem do pai.

Por que a IA é tão importante para a estratégia de Flávio?

Levantamento do Observatório IA nas Eleições, feito a pedido de VEJA e mencionado por Rayssa, identificou 357 conteúdos políticos produzidos com inteligência artificial entre janeiro e meados de julho. Segundo a repórter, Flávio e o PL aparecem na dianteira desse levantamento, o que demonstra que a tecnologia já integra a estratégia política do grupo.

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A questão ganha ainda mais importância porque Jair Bolsonaro está mais isolado em razão das restrições impostas pela Justiça. Segundo Rayssa, antes dessas limitações o ex-presidente participava de maneira mais ativa da articulação política por meio das visitas que recebia em sua residência. Com o endurecimento das regras, a campanha precisa encontrar outras formas de preservar sua presença política sem permitir que ele participe diretamente.

A estratégia pode repetir o que ocorreu em 2018?

Rayssa lembrou que há uma comparação possível com a eleição de 2018, quando Luiz Inácio Lula da Silva estava preso e Fernando Haddad disputou a eleição pelo PT. Naquela ocasião, segundo a repórter, apoiadores utilizavam máscaras com o rosto de Lula.

A diferença agora está no potencial da tecnologia. Em vez de reproduzir fisicamente a imagem de um candidato, recursos de inteligência artificial podem ampliar a presença de uma figura política em vídeos e outros conteúdos de campanha. No caso de Flávio, a questão é como utilizar esse recurso para reforçar a associação com o pai sem ultrapassar os limites estabelecidos pela Justiça Eleitoral.

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Qual é o dilema de Flávio Bolsonaro?

O desafio, segundo Rayssa Motta, é preservar aquilo que considera um dos principais ativos de sua candidatura sem transformar esse mesmo ativo em um problema jurídico. A campanha precisa encontrar uma maneira de vincular cada vez mais a imagem de Flávio à de Jair Bolsonaro, mas dentro das regras eleitorais e das determinações específicas impostas ao ex-presidente.

Para a repórter, esse é um dos principais quebra-cabeças da campanha neste momento. A decisão da Justiça Eleitoral sobre o uso da inteligência artificial poderá definir os próximos passos e indicar até onde a campanha poderá avançar na utilização da imagem de Jair Bolsonaro.

VEJA+IA: Este texto resume um trecho do telejornal VEJA em Foco (confira o vídeo acima). Conteúdo produzido com auxílio de inteligência artificial e supervisão humana.

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