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O dia em que Lula sondou o dono do partido de Bolsonaro sobre a eleição

Mantida a sete chaves, conversa ocorreu em meio às negociações de filiação do então presidente ao PL

Por Laryssa Borges Materia seguir SEGUIR Materia seguir SEGUINDO Atualizado em 7 jan 2023, 21h54 - Publicado em 7 jan 2023, 21h46

Antes da conversa definitiva, pelo menos quatro emissários do presidente Luiz Inácio Lula da Silva procuraram o mandachuva do Partido Liberal Valdemar da Costa Neto em meados de 2021 para sondar a disposição da legenda de filiar Jair Bolsonaro, adversário do petista nas últimas eleições. Até que, por volta de agosto daquele mesmo ano, o próprio Lula se reuniu com o dirigente. Os dois se conhecem há tempos, costuraram a escolha do empresário José Alencar para o cargo de vice na disputa presidencial de 2002 e enfrentaram juntos o turbilhão de acusações de compra de apoio político revelado no mensalão.

Na conversa, interlocutores do PL disseram que Valdemar afirmou a Lula que ficaria ao lado de Bolsonaro, com o qual já mantinha negociações avançadas para a filiação que só ocorreria em novembro, porque a aproximação entre ambos tinha começado em um período em que o petista estava preso por ordem da Lava-Jato e sem qualquer perspectiva de voltar ao jogo político. Na verdade, a decisão de Costa Neto de traçar um caminho paralelo a Lula foi marcada preponderantemente pelo conhecido pragmatismo do dono do PL.

A aproximação entre o partido e Bolsonaro trouxe polpudos dividendos à legenda, que elegeu, em boa parte na esteira do bolsonarismo, 99 deputados federais em outubro passado e se tornou o maior partido da Câmara. Por cálculos assim, na hipótese remota de a agremiação ter um dia cogitado se juntar ao projeto de Lula, ela não conseguiria inflar sua própria bancada, já que na avaliação do PL, os eleitores tenderiam a votar em candidatos do PT e de seus aliados históricos.

Além do poderio político de manter uma grande bancada de deputados, o número de parlamentares eleitos para a Câmara Federal se reflete diretamente no tamanho do naco do fundo partidário que cada sigla receberá. Quanto mais parlamentares de uma mesma agremiação forem escolhidos nas urnas, mais dinheiro público para elas. Em 2018, por exemplo, os dois deputados federais mais votados do país, Eduardo Bolsonaro e Joice Hasselmann, conquistaram cerca de 2,9 milhões de votos, cifra que supera, por exemplo, os votos que 24 partidos políticos obtiveram na disputa por vagas na Câmara. Como resultado das votações recordes, apenas os dois foram responsáveis por injetar pelo menos 110 milhões de reais em recursos do fundo partidário nos cofres do antigo PSL pelos quatro anos seguintes.

Já sob o guarda-chuva de Valdemar da Costa Neto, o novato Nikolas Ferreira, e a deputada Carla Zambelli foram os aliados do ex-presidente mais votados na disputa de outubro. Juntos, obtiveram 2,43 milhões de votos, números que – Valdemar sabe como poucos – se refletirão no caixa do partido pelos próximos quatro anos.

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