O ‘banho de lama’ eleitoral que deve vir à tona após caso Marcola atingir entorno de Lula
Governo tenta virar a página do episódio, mas avalia que novos fatos envolvendo adversários serão explorados nas redes durante a campanha presidencial
A saída de Marco Aurélio Santana Ribeiro, o Marcola, do entorno do presidente Lula e a escolha de Oswaldo Malatesta Neto para assumir a função abrem uma nova etapa no esforço do governo para afastar da campanha o desgaste provocado pelo episódio envolvendo o ex-chefe de gabinete. No Ponto de Vista, apresentado por Laísa Dall’Agnol, o colunista Robson Bonin, de Radar, avaliou que o novo auxiliar chega com a missão de manter discrição, enquanto a proximidade das eleições deve transformar novos fatos negativos envolvendo os principais candidatos em munição eleitoral (este texto é um resumo do vídeo acima).
Segundo Bonin, o caso de Marcola tornou-se uma fonte de “dor de cabeça” para Lula pela “mistura de interesses estranhos ao que é a atividade pública”. Após a saída do auxiliar, o presidente, segundo o colunista, optou por colocar em seu lugar alguém encarregado de conduzir a rotina sem produzir novos problemas.
Qual será a missão do novo chefe de gabinete?
Na avaliação de Bonin, Malatesta Neto assume com uma orientação bastante objetiva: evitar protagonismo. “Ele colocou esse novo chefe de gabinete que vem com uma única missão de não aparecer, não criar problema, tocar a agenda, fazer o trabalho que tem que fazer no Planalto”, afirmou o colunista.
A mudança ocorre em um momento no qual, segundo Bonin, o governo tenta superar o desgaste do episódio e concentrar esforços na reta final do mandato e na disputa eleitoral. A análise apresentada no programa é de que, enquanto o Planalto procura virar a página, o avanço das investigações da Polícia Federal mantém o assunto no debate político.
O caso Marcola pode provocar desgaste eleitoral para Lula?
Questionado sobre os efeitos eleitorais do episódio, Bonin afirmou que a proximidade das urnas faz com que acontecimentos da política sejam rapidamente incorporados à disputa entre governo e oposição. “Tudo que acontece na política, ainda que não seja algo relacionado à eleição, é traduzido e levado para o campo eleitoral”, disse.
Para o colunista, a dinâmica é impulsionada principalmente pelas redes sociais, onde os dois lados da polarização atuam para ampliar fatos desfavoráveis aos adversários. “Se a notícia é desfavorável ao presidente Lula, todos os apoiadores do Flávio Bolsonaro nas redes vão amplificar, falar disso, criticar e tentar levar esses fatos para a rede particular de cada um para ampliar o desgaste no presidente Lula”, afirmou.
A mesma estratégia será usada contra Flávio Bolsonaro?
Bonin ressaltou que a lógica não se restringe ao campo bolsonarista. Na avaliação dele, apoiadores da esquerda também tendem a explorar episódios capazes de produzir desgaste para Flávio Bolsonaro. “A esquerda não perde uma oportunidade de desgastar o Flávio sempre que surgem novos fatos reveladores de relações dele com essas figuras que estão sendo investigadas”, disse o colunista, citando o caso do Banco Master como exemplo.
O resultado, segundo Bonin, será uma disputa cada vez mais concentrada na exploração das vulnerabilidades dos adversários. Com a campanha entrando em uma nova fase, o colunista prevê que informações mantidas até agora pelas duas forças políticas com potencial eleitoral começarão a aparecer com maior frequência.
A campanha entrará em um ‘banho de lama’?
Para Bonin, a tendência é que a disputa entre os dois polos se torne mais agressiva conforme a eleição avança. “Provavelmente agora toda munição que esses dois lados estão guardando para divulgar vai começar a surgir”, afirmou.
O colunista prevê, assim, uma campanha marcada menos pelo confronto de propostas e mais pela tentativa de explorar episódios controversos ligados aos adversários. “É o que a gente vai começar a ver cada vez com mais frequência: um banho de lama, como dizem os partidos, os dois lados tentando atacar, fustigar o adversário, não por suas ideias, mas pelo passado de escândalos e problemas que cada um guarda.”
Na avaliação apresentada por Bonin no Ponto de Vista, portanto, a saída de Marcola pode representar uma tentativa do governo de encerrar o episódio dentro do Planalto, mas dificilmente significará o desaparecimento do assunto da disputa política. Com a campanha avançando, casos capazes de provocar desgaste devem alimentar a ofensiva dos dois lados da polarização.
VEJA+IA: Este texto resume um trecho do programa audiovisual Ponto de Vista (confira o vídeo acima). Conteúdo produzido com auxílio de inteligência artificial e supervisão humana.







