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‘Nunca fui terraplanista’, diz ex-presidente da Funarte

Demitido por Regina Duarte, Dante Mantovani acusa a secretária de conversar "só com a esquerda" e relativiza declarações polêmicas

Por Maria Clara Vieira Atualizado em 11 mar 2020, 09h58 - Publicado em 10 mar 2020, 20h55

Desde que assumiu a presidência da Fundação Nacional de Arte (Funarte) em dezembro do ano passado, o maestro Dante Mantovani não foi poupado de suas próprias declarações polêmicas. Em um vídeo de seu canal do YouTube que veio à tona após a nomeação, o músico, aluno do ideólogo de direita Olavo de Carvalho, afirma que o “rock leva às drogas, que levam ao aborto, que leva ao satanismo”. Uma postagem de seu Facebook na qual satirizava os “terrabolistas” (termo jocoso usado por pessoas que creem que a Terra é plana para se referir aos que acreditam na ciência) também apareceu. Na última semana, o maestro estava entre os seis “olavetes” exonerados pela nova secretária, Regina Duarte, medida que a tornou alvo de ataques na internet. Nesta terça-feira 5, Mantovani falou a VEJA.

Como o senhor recebeu a notícia de que havia sido demitido da Funarte? Fui a Brasília para a posse da secretária Regina Duarte, como presidente de uma fundação vinculada à pasta. Cheguei lá e descobri que meu nome não estava na lista. Recebi uma ligação do Ministério da Cidadania e soube que seria exonerado no dia seguinte.

Recebeu alguma justificativa? Nenhuma. A pessoa que me ligou só disse que houve uma mudança de administração. Há meses eu tentava entrar em contato com a secretária para compartilhar os planos para a Funarte e nunca fui recebido. Era mais fácil conversar com a oposição.

A que o senhor atribui a demissão? Eu sou um bolsonarista histórico, estou nas ruas com o presidente desde 2014. Nunca estive preocupado em fazer guerra ideológica, ao contrário dos recém-nomeados. Isso deve ter incomodado a secretária, que parece ser avessa ao diálogo.

Convidar pessoas que não são governistas para a secretaria não é ser aberta ao diálogo? Conversar é uma coisa. Colocar o inimigo para dentro, gente que vibrou quando o presidente tomou a facada, é outra. Acho que um governo conservador deve ter funcionários com uma postura alinhada à do presidente. A senhora secretária só promove diálogo com a esquerda.

Indicados pela nova secretária têm experiência na área da cultura. É preciso que sejam “de direita”? Essas pessoas são militantes ideológicos, inimigos declarados do presidente Bolsonaro.

Os ataques à secretária não são excessivamente truculentos? Quem recebeu ataques truculentos fui eu. Tentaram me pintar como um louco, enquanto fiz uma gestão técnica do início ao fim. É ela é quem está tentando promover um linchamento.

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Não são os “olavetes”? Não. Eu sou amigo do professor Olavo, fui aluno dele. Quando Regina Duarte diz que há facções na secretaria, está nos comparando a criminosos. Nós ficamos muito ofendidos com a fala e reagimos.

Suas declarações associando rock às drogas e ao satanismo não te descredenciam como um gestor técnico? Essa fala foi tirada de contexto. Eu estava explicando para meus alunos o que acontece no cérebro humano quando é estimulado pela música, tudo isso de acordo com o livro de um psiquiatra francês. Ele argumenta que o rock causa uma reação análoga ao uso de drogas dentro do cérebro. O resto eram impressões minhas. No final da minha gestão, inclusive, nós estávamos preparando um edital para bandas de garagem.

E a fala sobre a terra plana? Nunca falei que a terra é plana, aquele print foi fabricado.

O senhor tomou medidas legais a respeito? Não fui atrás disso porque tinha mais o que fazer. O presidente Bolsonaro me pediu para trabalhar, e não para criar polêmica.

O que foi entregue, afinal? Nós começamos a colocar em prática o projeto das orquestras sociais em alguns estados. Também começamos a reconstrução dos espaços físicos da Funarte e lançamos o primeiro programa nacional de apoio a ópera. Gastamos mais de 5 milhões de reais na compra de instrumentos de coreto e trabalhamos para a integração de deficientes. Todos esses projetos serão interrompidos.

Na época da sua nomeação, o senhor foi associado ao seu antecessor, Roberto Alvim. A demissão dele foi justa? Foi. Aquele vídeo com referências ao nazismo foi muito infeliz. Fiquei muito irritado com ele porque uma das bases mais importantes do governo sempre foi a comunidade judaica. Ele jogou trevas em todo o nosso trabalho e penso que a saída dele foi suficiente para pacificar as coisas. Não é necessário uma Regina Duarte.

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