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Novo presidente do Senado é alvo de duas investigações no STF

Davi Alcolumbre é suspeito de apresentar notas falsas na campanha de 2014; senador do DEM diz que alegações serão 'esclarecidas e devidamente dirimidas'

Por Estadão Conteúdo - Atualizado em 4 fev 2019, 17h15 - Publicado em 4 fev 2019, 09h19

O novo presidente do Senado, Davi Alcolumbre (DEM-AP), é alvo de dois inquéritos no Supremo Tribunal Federal (STF), que apuram irregularidades na campanha eleitoral de 2014, quando ele foi eleito senador. Os dois casos começaram a ser apurados na esfera eleitoral, no Tribunal Regional Eleitoral do Amapá (TRE-AP), onde foram arquivados.

No entanto, a Procuradoria-Geral da República (PGR) pediu ao STF a abertura das investigações em 2016 e 2018. Na Corte, as ações tramitam de forma conjunta e estão sob a relatoria da ministra Rosa Weber. Um dos casos está sob segredo de Justiça. Em documentos que constam nos autos do outro inquéritos, a PGR cita, entre as suspeitas, a utilização de notas fiscais falsas emitidas pela L.L.S. Morais – ME para a prestação de contas do parlamentar eleito.

A PGR chegou a pedir a quebra de sigilo bancário de Reynaldo Antônio Machado Gomes, contador da campanha de Alcolumbre, e da empresa R.A.M. Gomes, no período de 1º/7/2014 a 31/10/2014. Os últimos documentos juntados aos autos do processo não informam se essa medida foi implementada.

Nos processos, a defesa de Alcolumbre tem alegado inocência e afirmado que não houve falsificação de notas fiscais. Em nota, o presidente do Senado afirmou, na noite de domingo 3, que as “alegações” que sustentam os dois inquéritos dos quais é alvo no Supremo Tribunal Federal serão “esclarecidas e devidamente dirimidas”.

“Os dois inquéritos estão relacionados à prestação de contas da campanha de Davi Alcolumbre ao Senado em 2014. A prestação de contas foi aprovada pelo Tribunal Regional Eleitoral do Amapá e o MDB recorreu. O senador Davi Alcolumbre está convicto de que, ao final das apurações, restarão todas as alegações esclarecidas e devidamente dirimidas”, diz o texto distribuído pelo parlamentar.

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Festa

Horas após ser eleito presidente do Senado, Davi Alcolumbre recebeu convidados já na residência oficial e, por minutos, quase provocou a primeira saia-justa da sua gestão. Convidados para a festa de comemoração da vitória do colega de partido, o ministro-chefe da Casa Civil, Onyx Lorenzoni, e o presidente reeleito da Câmara, Rodrigo Maia (DEM-RJ), passaram pelo local em horários diferentes, evitando um encontro os dois são antigos desafetos. A eleição do senador foi atribuída à articulação do ministro. Já a de Maia, a despeito dela.

A festa de comemoração, que invadiu a madrugada de domingo, foi organizada às pressas por aliados. A residência oficial havia sido solicitada na véspera e um grupo de novos senadores dividiu-se para que o evento acontecesse. Enquanto uns cuidaram da comida, outros trataram de garantir as bebidas: vinho, uísque e água.

Alcolumbre não bebe. No bufê, montado sobre um aparador da sala principal, foi servido arroz, carne com molho e salada. A comemoração coincidiu com o aniversário do pai do senador, que saiu do Amapá para ver a vitória do filho. Políticos locais também estavam presentes.

Nas rodinhas, o assunto que dominava era sobre estratégias que levaram o grupo de Renan Calheiros (MDB-AL) à derrota. Em uma delas, a abordagem de emedebistas aos novos senadores virou deboche. “Isso daqui não é a Câmara, aqui tem comando” era uma das frases atribuídas a aliados de Renan para intimidar novatos.

Sem música ambiente, a maioria das conversas se dava ao pé do ouvido. Alcolumbre era o mais procurado. Distribuía abraços e, a todo momento, era chamado para trás de uma pilastra na entrada da casa para tratar de assuntos particulares. A certa altura da festa, após algumas taças de vinho, um senador disse considerar Rodrigo Maia “muito chato”. Na mesma hora, um deputado atribuiu a fama à timidez do presidente da Câmara, que riu.

À reportagem, Alcolumbre disse que não conseguia dormir direito havia cinco noites e que precisaria de ao menos um dia para descansar. Mesmo assim, prometia a aliados procurá-los no domingo para tratar da Mesa Diretora e dos comandos das comissões da Casa.

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