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Novo presidente do PMDB ataca gestão desastrosa de Dilma e rechaça ideia de novas eleições

Romero Jucá assume comando da legenda para elevar o tom da disputa contra o PT

Por Da Redação - 5 abr 2016, 17h33

“Nós éramos, no PMDB, comissários de bordo. A gente segurava as pessoas, mandava apertar o cinto e dava o saquinho para vomitar”, Romero Juca, sobre a participação do partido no governo Dilma

Novo presidente nacional do PMDB, o senador Romero Jucá (PMDB-RR) criticou duramente o governo da presidente Dilma Rousseff nesta terça-feira. Segundo ele, o Executivo promoveu no último ano uma “eternidade de incompetência” nos campos político e econômico. Refutando a cantilena petista, Jucá disse que o processo de impeachment não pode ser considerado um “golpe” e afirmou que o partido não “troca o certo pelo duvidoso”, mas sim busca um caminho e uma resposta às ruas, que pedem “fora Dilma”. Jucá assumiu o controle do partido para elevar o tom do embate político e fazer frente às recentes críticas do ex-presidente Lula à sigla.

“Esse um ano e três meses se transformou em uma eternidade de incompetência. O governo se superou. Conseguiu fazer tudo da pior forma possível, e nós temos hoje esse quadro que está aí”, disse Jucá. “A condução econômica desse governo e a gestão estão um desastre. Na campanha política não vimos um debate de correção de rumos”, afirmou o senador.

Jucá tentou eximir o PMDB da responsabilidade pela crise político-econômica e comparou a legenda a um “comissário de bordo” em uma aeronave sob outro comando. Ele citou os projetos apresentados pelos ex-ministros Guido Mantega e Joaquim Levy e pelo atual ministro da Fazenda, Nelson Barbosa, e resumiu: “Não venham cobrar do PMDB a crise econômica, porque o PMDB não pilotou esse avião econômico. O Michel não era copiloto, o Michel estava fora da cabine. Nós éramos, no PMDB, comissários de bordo. A gente segurava as pessoas, mandava apertar o cinto e dava o saquinho para vomitar”. “Não temos responsabilidade nem pela condução política nem pela condução econômica, que são os dois aspectos que quebraram esse país conjunturalmente”, disse, fazendo coro à carta em que Temer reclamava da falta de interlocução com a presidente Dilma.

O parlamentar ainda comparou o escândalo de corrupção desvendado pela Operação Lava Jato com a situação em que o ex-presidente Fernando Collor foi retirado do governo, em 1992, e disse: “Com a Lava Jato, a situação do Collor virou juizado de pequenas causas”. O próprio Jucá é alvo de inquérito no petrolão.

Em recados velados ao presidente do Senado, Renan Calheiros (PMDB-AL), que havia classificado como “pouco inteligente” e “precipitada” a decisão do PMDB de deixar o governo, Jucá rebateu: “A sociedade que estava nas ruas esperava uma posição do maior partido do Brasil. Não é precipitado tomar uma posição a favor do povo. É inteligente cuidarmos da nossa vida e deixar o povo ao léu? Talvez seja o momento de se deixar o interesse pessoal próprio e cuidar do interesse coletivo de quem votou em todos nós”.

Em seu discurso, Jucá ainda criticou outras propostas de peemedebistas, como a emenda constitucional pró-eleições gerais apresentada pelo senador Valdir Raupp (PMDB-RO), e disse que alternativas como essa podem ser consideradas um “golpe”. “Qualquer outra saída mirabolante aí, sim, é golpe. Eleições gerais para todo mundo. Está na Constituição? Não. Todo mundo renuncia. Está na Constituição? Não. A regra tem que ser cumprida”, discursou Jucá.

Romero Jucá também reconheceu a “falta de representatividade de partidos e políticos” e defendeu a tese de que detentores de mandatos eletivos se posicionem claramente sobre o governo Dilma. Ele criticou a estratégia desesperada do governo de leiloar os cargos do PMDB para reformular a base de sustentação do Palácio do Planalto. Sobre a disposição do governo para só consolidar a reforma ministerial depois da votação do impeachment, Jucá disse que “o governo agora vai dar um cheque pré-datado”. “Se quisermos ser respeitados, temos que ter posicionamento que efetivamente represente a população que está lá fora. O que a população que vai nos acompanhar espera do Congresso e dos políticos brasileiros? Espera uma solução. A política tem que construir uma solução aqui dentro desse Congresso”, disse.

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