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Novo julgamento de Lula só deve ocorrer depois de 2026

Cálculos foram feitos depois que Edson Fachin anulou condenações e tirou de Curitiba processos em que petista era acusado de receber propina

Por Laryssa Borges Atualizado em 17 mar 2021, 12h12 - Publicado em 14 mar 2021, 19h44

Ministros do Supremo Tribunal Federal (STF) ouvidos por VEJA sob a condição de reserva estimaram que serão necessários até cinco anos para que os processos contra o ex-presidente Lula remetidos agora para a Justiça Federal do DF sejam concluídos na primeira instância. Os cálculos foram feitos depois que o relator da Lava-Jato no Supremo, Edson Fachin, anulou as duas condenações e retirou de Curitiba outros dois processos em que o petista era suspeito de ter recebido propina de empreiteiras.

Apesar da reviravolta jurídica em favor do principal condenado da Lava-Jato, a decisão individual de Fachin não transforma o ex-presidente em um inocente, embora devolva a ele o status de ficha limpa e o direito de se candidatar nas próximas eleições. As ordens de buscas, interceptações telefônicas e quebras de sigilo relacionadas a Lula nos quatro processos que tramitaram em Curitiba continuam valendo e podem ser aproveitadas pelos juízes da Justiça Federal do DF que receberão os casos.

O cenário em Brasília, porém, é amplamente favorável a investigados por escândalos de corrupção. A primeira e segunda instâncias da capital já arquivaram casos como o quadrilhão do PT, a acusação de que um aspirante a delator seria subornado para ficar calado e o processo em que Lula e seu sobrinho Taiguara Rodrigues eram suspeitos de receber propinas da Odebrecht em um esquema em Angola. Somente após nova condenação por órgão colegiado é que Lula voltaria a ser enquadrado como ficha suja e impedido de disputar cargos eletivos. Pelas projeções de integrantes do STF, porém, isso só deve ocorrer depois de 2026.

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