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Nora de mensaleiro preso na Lava Jato movimentou dinheiro ‘superior ao esperado’

Segundo PF, servidora pública Marcia Danzi Corrêa de Oliveira recebeu, em nome do sogro, o ex-deputado Pedro Corrêa, propina enviada pelo doleiro Alberto Youssef; ex-funcionário o acusa de compra de votos

Na 11ª fase da Operação Lava Jato, que levou para a cadeia na última sexta-feira os ex-deputados André Vargas (ex-PT-PR), Luiz Argôlo (SD-BA) e Pedro Corrêa (PP-PE), a Polícia Federal encontrou indícios de que a nora de Corrêa, a servidora pública Marcia Danzi Correa de Oliveira, recebeu, em nome do sogro, propina enviada pelo doleiro Alberto Youssef. Laudos periciais em poder da polícia apontam que ela movimentou 1,377 milhão de reais entre 2010 e 2014, recursos, que, segundo os investigadores, são “muito superiores ao esperado”. Marcia tem renda mensal de 7.000 reais como funcionária da Companhia Brasileira de Trens Urbanos (CBTU), mas, em depoimento à PF, defendeu que saques de 350.000 reais realizados em suas contas entre 2010 e 2014 são “compatíveis” com sua capacidade financeira.

De acordo com as investigações, 21% dos recursos que passaram pela conta dela foram feitos por depósitos em dinheiro vivo pelo filho do ex-deputado Pedro Corrêa. Aos policiais, Marcia negou ter indicado contas bancárias para que o doleiro Alberto Youssef depositasse propina e disse não ter conhecimento de que Correa havia indicado suas contas para receber dinheiro do esquema, embora ela tenha administrado as contas do sogro depois de ele ter sido cassado, no auge do escândalo do mensalão. A nora do mensaleiro disse que “nem se recorda” das movimentações de suas contas bancárias.

Pedro Corrêa foi condenado a sete anos e dois meses de prisão em regime semiaberto no julgamento do mensalão por ter recebido dinheiro em troca de apoio político do PP ao governo Lula. No escândalo do petrolão, é suspeito de ter embolsado 5,3 milhões de reais em suborno para despesas de campanha em 2010. Embora o PP seja apontado como um dos principais partidos que atuavam no esquema de corrupção na Petrobras, o alto valor da propina paga ao ex-congressista chamou atenção até do ex-diretor da Petrobras Paulo Roberto Costa, um dos principais delatores do escândalo que envolve a Petrobras. “[Era] um repasse extraordinário, pois não era comum que um único parlamentar do PP recebesse uma quantia dessa monta do caixa de propinas do PP”, disse o ex-diretor.

Em outro depoimento colhido pelos policiais, o ex-funcionário de Corrêa, Jonas Aurélio de Lima Leite, que trabalhava no haras Fazenda Nova, de propriedade do mensaleiro, diz que o ex-deputado comprou votos no município de Brejo da Madre de Deus (PE), pagando contas de energia elétrica, água, combustíveis, além de providenciar peças de veículos e materiais de construção para os eleitores. Não há indicação de qual eleição se trata. Quando deixou de trabalhar no haras, em 2013, Leite diz ter levado os documentos que comprovam a compra de votos porque pretendia “denunciar as falcatruas” do ex-parlamentar.​

Pedro Corrêa cumpria pena no interior de Pernambuco, com autorização para trabalhar como médico durante o dia e retornar à noite para a cadeia. O ex-parlamentar, porém, foi alvo de pedido de prisão preventiva decretada pelo juiz federal Sergio Moro, responsável pelos processos sobre o escândalo do petrolão na primeira instância, e acabou transferido para Curitiba.

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