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No RJ, PMDB vive disputa pelo comando da Assembleia

Com eleição prevista para fevereiro, Paulo Melo e Jorge Picciani buscam já nesta semana declarações de apoio de deputados estaduais eleitos

Por Daniel Haidar, do Rio de Janeiro - 29 out 2014, 17h49

Após reeleger o governador Luiz Fernando Pezão, o PMDB agora vive uma disputa interna no Rio de Janeriro pelo comando da Assembleia Legislativa do estado. Não se trata de uma disputa por renovação: de um lado, Paulo Melo (PMDB), presidente da Casa desde 2011, tenta se manter no poder por mais quatro anos. Do outro, Jorge Picciani, presidente do PMDB no estado e comandante da casa de 2003 a 2010, tenta garantir sua volta à cadeira.

Reeleito, Pezão consegue base robusta na Assembleia

A briga não começou cedo à toa – as eleições são só em fevereiro. Picciani espera ter fidelidade canina de aliados, mas teme traições. Ele começou a realizar encontros com parlamentares eleitos para obter garantias da maioria dos eleitos. Na segunda-feira, o presidente do PMDB fluminense dizia ter o apoio de 10 dos 15 deputados eleitos do PMDB. Na terça-feira, obteve a adesão de André Corrêa (PSD), líder do governo, que desistiu de se candidatar ao comando da Assembleia no ano que vem. Picciani também conseguiu a adesão de Domingos Brazão, líder do PMDB e outro pré-candidato ao comando da casa que desistiu de concorrer.

“Paulo já disputou duas vezes contra mim. Eu tenho maioria e não vou desistir”, avisa Picciani.

Melo diz respeitar o adversário, mas também se movimenta. Conta com o apoio do deputado Gustavo Tutuca (PMDB), amigo de Pezão e neófito no partido, e se aproximou da facção peemedebista liderada pelo prefeito do Rio de Janeiro, Eduardo Paes.

A base do governo deve contabilizar 53 dos 70 deputados da Assembleia Legislativa. Ainda que o partido viva uma disputa, Pezão está tranquilo. O governador reeleito sabe que estará longe de problemas, seja quem for o vencedor. Sob o comando de Picciani e Melo, Cabral jamais enfrentou dificuldades. Entre as funções do presidente estão a autorização para abertura de Comissões Parlamentares de Inquérito (CPIs), a organização da pauta de votações e a publicação de requerimentos de informação. Nos últimos anos, não faltaram casos de pedidos de informação, feitos por oposicionistas, solenemente ignorados por Melo.

“A base do governo vai estar mais forte do que nunca. Democracia é o seguinte: é quem pode e quem faz. Democracia de um mínimo ditar o máximo é ditadura”, teorizava Melo no domingo em que Pezão foi reeleito.

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