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Nesta sexta, Dilma deve demitir 2º ministro em uma semana

Presidente se reunirá com Luiz Sérgio, das Relações Institucionais, cujo cargo é motivo de briga entre petistas. O encontro deve servir para acertar a saída dele

Por Da Redação 10 jun 2011, 07h53

A presidente Dilma Rousseff se prepara para fechar, nesta sexta-feira, a demissão de seu segundo ministro em apenas uma semana. Ao contrário do que o Planalto esperava, a crise política que agita o governo há mais de 20 dias não foi sanada com a saída de Antonio Palocci da Casa Civil. Mal ele deixou o cargo e os petistas deram início a uma nova guerra interna, desta vez pela vaga do ministro da Secretaria das Relações Institucionais, Luiz Sérgio. Dilma se reunirá com o ministro nas próximas horas – em um encontro que deverá servir para acertar os detalhes da saída dele.

A pasta que Luiz Sérgio comanda é responsável pela articulação política do governo, ou seja, pela intermediação entre o Congresso e o Palácio do Planalto. Mas, na prática, essa função ficava sob responsabilidade de Palocci. Com a saída do ex-chefe da Casa Civil, Luiz Sérgio – apelidado de garçom, por só anotar pedidos e nada fazer na prática -, poderia até ganhar mais autonomia. A bancada do PT no Congresso, porém, aproveitou o tumulto dos últimos dias no Planalto para exigir a saída do ministro das Relações Institucionais.

Sem apoio no próprio partido, Luiz Sérgio reuniu-se com Dilma na quarta-feira para discutir sua situação. E, agora, até mesmo a presidente discute nomes para substituir o ministro que ainda não demitiu. Ela já avisou aos senadores do PT: quer Ideli Salvatti à frente da Secretaria de Relações Institucionais. Hoje Ideli ocupa o Ministério da Pesca, cargo de pouco peso político no governo. Se seu nome for concretizado, ela será a terceira mulher mais forte no Palácio do Planalto, atrás de Dilma e da recém-empossada ministra da Casa Civil, Gleisi Hoffmann.

Dilma já havia falado sobre sua escolha com o vice-presidente, Michel Temer, em encontro na última terça-feira. Mas não deu certeza sobre a decisão e ficou de comunicá-lo em breve. Ideli e Dilma passam a tarde de quinta-feira juntas em Blumenau (SC) – uma das bases eleitorais da ex-senadora – para entrega de apartamentos do Programa Minha Casa, Minha Vida. Se oficializada, Ideli representará mais uma indicação pessoal de Dilma, que vem tentando se desfazer da imagem do governo anterior.

A maioria dos parlamentares petistas, porém, rejeita a escolha de Ideli para o cargo e tenta emplacar o líder do governo na Câmara, Cândido Vaccarezza (PT-SP), para o posto de Luiz Sérgio. A bancada já costura um acordo com o aliado PMDB para que o lugar de Vaccarezza seja ocupado pelo deputado Mendes Ribeiro (PMDB-RS). Este último era cotado para o cargo de líder do Congresso, que não tem função alguma na prática. A vaga de líder do Congresso seria, então, destinada a Luiz Sérgio, como prêmio de consolação.

Nem mesmo dentro do PT, porém, há consenso em torno do nome de Vaccarezza. A briga no partido está polarizada entre ele e o deputado Arlindo Chinaglia (SP). A disputa é uma reedição do que ocorreu no fim do ano passado, quando ambos concorreram à indicação do partido para presidir a Câmara. No fim das contas, Chinaglia apoiou Marco Maia (RS) e a bancada petista, que via em Vaccarezza um nome muito ligado ao governo, escolheu o gaúcho. Se ficar com o cargo no Planalto, o atual líder do governo deve passar o posto a Chinaglia.

Leia no blog de Reinaldo Azevedo:

Cinco meses de uma relativa ausência de Lula foram suficientes para que grupos petistas começassem a se engalfinhar. Não se trata daquela velha divergência traduzida em correntes ideológicas, que organizam propostas a serem debatidas em congressos partidários. Nada disso! O que vemos é a vulgar, tradicional e comezinha disputa pelo poder. O Lula presidente, que também mandava no PT, daria um murro na mesa, e as disputas estariam encerradas. Ela não pode fazê-lo porque não tem vida partidária. O, digamos assim, petismo profundo a vê como uma espécie de funcionária de turno de um projeto de poder – que só tem funcionalidade plena com Lula no comando porque só ele unifica as divergências.

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