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‘Nenhum país gosta de interferência em eleição’, diz Maia sobre Argentina

Presidente da Câmara reprova comentários sobre pleito em outro país no mesmo dia em que Bolsonaro expressou temor de que chapa de Kirchner saia vencedora

Por Da Redação - 13 Aug 2019, 04h39

No mesmo dia em que o presidente Jair Bolsonaro expressou preocupação com resultados das eleições primárias argentinas, afirmando que uma vitória da chapa de Cristina Kirchner poderia colocar o país “no caminho da Venezuela”, o presidente da Câmara dos Deputados, Rodrigo Maia (DEM-RJ), reprovou esse tipo de comentário. Em entrevista ao programa Roda Viva, da TV Cultura, nesta segunda-feira 12, o parlamentar analisou a situação.

“A gente deveria primeiro aguardar o resultado do processo eleitoral para depois tomar qualquer tipo de atitude. Isso é importante para não ficar parecendo tentativa de interferência. Não sei se essa tentativa é real ou não. Mas sendo, acho que talvez dê voto e até consolide voto pra chapa da ex-presidente Kirchner. Creio que ninguém goste de ver interferência de um país no outro”, avaliou Maia.

O deputado considera que, de forma geral, certos comentários do presidente Jair Bolsonaro podem prejudicar relações do Brasil com outros países.

“O tempo vai mostrar a ele [presidente Bolsonaro] que dosar algumas palavras também é importante para que se possa construir o mínimo de confiança nas relações entre as instituições e também do Brasil com os outros países”, afirmou. 

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“Ele precisa avaliar, ele é o presidente do Brasil, ele sabe o impacto que isso pode causar ao próprio governo dele”, completou Maia.

Satisfeito com a aprovação da reforma da Previdência na Câmara dos Deputados, Maia salientou que declarações e medidas do presidente poderiam ter prejudicado o objetivo.

Podia ter dado errado [a aprovação da reforma]. Podia ter tido no Parlamento um ambiente de radicalização também. O Parlamento é que teve maturidade e responsabilidade naquele momento de entender que aquela pauta era mais importante para se chegar nas outras pautas do que o conflito com o presidente”, declarou o parlamentar. 

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